sábado, 17 de agosto de 2013

O Beira-Mar definha!

O verdadeiro Beira-Mar definha. O fim da equipa sénior de basquetebol é apenas o culminar da morte lenta que as modalidades vêm sofrendo há anos. O mais (des)interessante, é que tudo acontece nas mãos de quem jura a pés juntos defender os máximos interesses do clube e de Aveiro, ou seja, de políticos que, das duas uma, ou não defendem aquilo que dizem, ou são muito incompetentes no que fazem. Eu inclino-me para ambas as hipóteses, até porque tudo acontece em nome duma equipa profissional de futebol que também anda pelas ruas da amargura.
Em primeiro lugar, talvez os sucessivos responsáveis pelo clubes se tenham esquecido precisamente do que deve ser o principal objectivo duma associação desportiva. ou seja, permitir que os cidadãos pratiquem desporto. É muito simples, ou devia ser, até porque é em nome desta simplicidade que surge aquilo que se chama "amor à camisola" e não doutra coisa qualquer. Em Aveiro trocou-se esse "amor à camisola" por negociatas manhosas, uma inaceitável sociedade por quotas e vãs tentativas de aproveitamento político. É pena, o Beira-Mar definha.
António Regala, candidato à Assembleia Municipal de Aveiro nas eleições autárquicas de há quatro anos, abdicou de representar aqueles que o elegeram como único deputado do Partido Comunista Português para se tornar presidente do clube mais representativo da região de Aveiro, ou seja, para supostamente inverter o caminho negativo de que, na geração anterior, Artur Filipe é o autor. Como é que o fez? Criando uma sociedade por quotas cujo accionista maioritário é um milionário iraniano com um nome difícil de pronunciar. Estranha forma de comunismo, digo eu. Talvez por isso mesmo, o PCP sempre tenha votado ao lado dos partidos da direita que gostam de ir para a cama com o futebol, incluindo no que se refere à negociata manhosa das piscinas municipais, vendidas ao Beira-Mar por cerca de 1,2 milhões de euros, e depois à empresa Nível 2 por 2,3 milhões. O valor de mercado do terreno era, pelo menos de cinco milhões.
E o Beira-Mar definha. Talvez faça falta quem perceba que o desporto não é roubar património público para o perder no poço sem fundo duma equipa profissional de futebol, que serve apenas os interesses lucrativos duma sociedade por quotas. Talvez faça falta quem perceba que um clube deve servir para que as nossas crianças tenham escolas de desporto e para que o desporto seja isso mesmo. Não uma indústria.
Por fim, talvez faça falta também quem perceba que política e futebol são péssimos na mesma cama.