sexta-feira, 8 de março de 2013

Aveiro Debaixo de Água

O 8º Relatório de Acompanhamento do Plano de Saneamento Financeiro da Câmara Municipal de Aveiro tem dois pontos que são o paradigma do que tem sido a Política de direita no nosso país.´Primeiro, exibindo o seguinte quadro, orgulha-se da diminuição do número de colaboradores da Câmara Municipal como forma de poupar dinheiro à Autarquia, ou seja, através do envio de pessoas para o desemprego.


Algumas páginas depois, justifica o aumento do valor das ajudas de custo da seguinte forma:

O aumento do valor das ajudas de custo, deve-se ao facto do Município, ao abrigo do Programa Emprego-Inserção, ter celebrado contratos com beneficiários do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego, aos quais teve de pagar as despesas de transporte entre a residência habitual e o local da actividade

Para além de enviar pessoas para o desemprego, a Câmara Municipal de Aveiro aproveita depois mão de obra barata dos próprios desempregados, pagando-lhes apenas um subsídio social e as despesas de transporte.

Mas o mais gritante disto, é que o esforço para poupar dinheiro esbarra depois, de frente, em tudo o resto. Na mesma sessão da Assembleia foi aprovada pela maioria de direita, e pela segunda vez, a negociata conhecida como o Negócio das Piscinas.

Em Novembro de 2008, já tinha sido aprovada a venda do terreno das piscinas ao Beira-Mar por um preço bastante abaixo do seu valor real. O problema começou quando, pela calada da noite e uns minutos depois, o Beira-Mar vendeu esse mesmo terreno à empresa Nível 2. Na mesma noite, portanto, o mesmo terreno foi vendido ao Beira-Mar por cerca de 1,2 milhões de euros, e depois à empresa Nível 2 por 2,3 milhões. Quem é que ficou a ganhar com este negócio? O Beira-Mar e a Nível 2. Quem é que ficou a perder? A Autarquia, que se viu sem património calculado em quase 5 milhões de euros.

Para além da direita, quem votou a favor deste negócio em 2008 foi o deputado do PCP António Regala, o mesmo que hoje é, por uma enorme coincidência, presidente do Beira-Mar e, portanto, parte interessada neste negócio lesivo para o interesse público. O PCP, aliás, tornou a votar a favor do negócio agora, em 2013, ao lado do PSD e do CDS.

Depois deste descalabro, as propostas do Bloco para que a água volte a ser pública em Aveiro, foram recusadas pela direita por motivo económicos. O Bloco defende taxas progressivas, para que quem tem piscinas e jardins pague mais do que quem tem apenas uma torneira em casa. Estas taxas progressivas permitiriam manter um fornecimento mínimo gratuito de 50 litros /dia aos cidadãos. A direita acha que isso é despesismo...

Melhor ainda, um deputado do CDS, Paulo Marques, acusou o Bloco de estar a pensar distribuir 50 litros de vinho por dia aos cidadãos. E porque de palermices já chega, fico-me por aqui.


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