quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

bora lá à China?

Em 2007, o então ministro da Economia Manuel Pinho, numa viagem oficial à China, apresentou os baixos salários dos trabalhadores portugueses como uma vantagem comparativa ao investimento chinês. O discurso tinha uma certa lógica, apesar de tudo, para quem é de direita. É a direita que defende a desvalorização do valor do trabalho e que vê no investimento, não uma forma de criar riqueza para todos, mas sim uma forma de criar riqueza para poucos.
Já em 2012, foi Paulo Portas quem fez uma  visita oficial àquele país, na sequência de uma série de negócios que empobreceram drasticamente o nosso país. A aquisição pela China Three Gorges de 21,35% da EDP;  a venda  de 25% da REN - Redes Energéticas Nacionais e mesmo a Galp, que vendeu 30% da Petrogal Brasil à chinesa Sinopec, contribuiram para o estreitar de laços entre a direita portuguesa no poder e o Partido Comunista Chinês.
O senhor que se segue, agora, é Jerónimo de Sousa, do Partido Comunista Português, que está já na China em visita oficial. O que faria o PCP relativamente à privatização da Edp, se estivesse no governo, é apenas a primeira pergunta que me surge. De qualquer forma, e ao contrário de Manuel Pinho em 2007 e de Portas em 2012, fico à espera que Jerónimo de Sousa critique os baixos salários dos trabalhadores portugueses e chineses, algo que não vai acontecer.
Que partidos do poder em Portugal, com homens que demonstraram claramente estar na política para se servirem a si mesmos e não à população, estabeleçam relações oficiais com o Partido Comunista Chinês, entendo perfeitamente. Que o Partido Comunista Português também o faça, já não. Pergunto-me porquê...

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