sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

há coisas fantásticas, não há?

Uma aventura na Assembleia de Freguesia da Glória

Os deputados do PS votaram a favor, ontem, o Orçamento da Junta de Freguesia da Glória para 2013. Nada demais, afinal de contas é normal ver o PS a viabilizar orçamentos do PSD e do CDS um pouco por todos o país, incluindo a Assembleia da República. É uma escola, portanto, esta viabilização.
Estranho é que se aprove um Orçamento sem qualquer argumento favorável ou contrário ao documento. Aliás, apenas o Bloco de Esquerda pediu para intervir, tarefa difícil porque, conforme o presidente da Mesa foi dizendo, era melhor não perder muito tempo a falar porque havia ali gente com pressa de ir embora. Fantástico! Aliás, na ausência prolongada de declarações da bancada do PSD (apenas um dos seus deputados pediu para fazer várias intervenções), o líder da bancada do PS conseguiu cometer a proeza de, na primeira vez que falou, aceitar que estava errado mas tinha que continuar a sua intervenção assim porque era o que tinha escrito no papel. Tratava-se de criticar o voto a favor da Reorganização Administrativa do território, na Assembleia Municipal, do presidente daquela Junta. Só que o presidente tinha votado contra. Reacção: "Pois! Mas agora tenho que continuar a ler isto assim porque é o que está escrito". Fantástico de novo.
Mas voltando ao orçamento, aquilo é "come e cala". Não se fazem perguntas e por isso não há respostas. O Bloco criticou, entre outros aspectos, o facto de se gastar a mesma verba com noventa pessoas que praticam chu-king e hidroginástica (que mesmo assim pagam as sessões) e com um programa de acção social para pelo menos 270 famílias (ou seja, mais de setecentas pessoas) identificadas num estado de emergência social. Criticou também, por exemplo, que se gaste mais de dez vez mais na construção dum edifício (casa da sustentabilidade: €509.900,00 em 2013) do que com todo o programa de ordenamento do território (€45.500,00) que, assim, se resumirá a três ruas. Não teve resposta. Foi o único a votar contra.
Demonstrada ficou a promiscuidade entre a venda dum terreno à Mc Donalds para a construção de um restaurante daquela multinacional e a candidatura da Junta a um programa de apoio social para a construção de um balneário público. Em nome da transparência, foi explicado a deputado do Bloco que os elementos da Junta se deslocaram ao Porto para fazer a escritura e, assim que receberam o cheque, um senhor disse-lhes: "agora já estão em condições preferenciais para entrarem na parte social da empresa". Uau!
Eufórico, o PS saiu em defesa do PSD e chamou o Bloco de partido utópico nesta questão. Para o PS é utópico, portanto, construir um balneário público com dinheiros públicos, com alguns chuveiros, torneiras e água corrente. Eu não sei quantos balneários deste género existem no Estádio Municipal de Futebol com 30 000 lugares que o PS mandou construir há uns anos, mas sei que tem uma assistência média inferior a 1000 pessoas. De utopia estamos conversados. De palermice também.

domingo, 16 de dezembro de 2012

a miséria destapada

(guardar a imagem no disco duro, para conseguir ler)

O Diário de Aveiro publicou ontem uma notícia sobre a denúncia feita pelo Bloco de Esquerda - Aveiro sobre um exemplo de miséria escondida em Aveiro, à qual os serviços sociais da Câmara viraram as costas.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

a miséria escondida

Não há miséria pior do que aquela que se esconde.
O Bloco de Esquerda teve conhecimento, através de alguns moradores, de mais um caso de manifesto desprezo da autarquia aveirense pelos direitos mais básicos e essenciais da população, e denunciou-o na Assembleia Municipal. Preto no Branco. Os resultados não se fizeram esperar.
M., moradora no Bairro de Santiago, não tem emprego, está doente e sozinha e mesmo assim nunca conseguiu nenhuma contribuição do Estado. A edp cortou-lhe o fornecimento de energia eléctrica, por falta de pagamento, e o mesmo aconteceu com a água e com o gás. Ficou sem nada, a não ser o direito de habitar uma casa de renda social, paga a custo pela magra pensão de um familiar que não pode fazer mais do que isso.
Alguns moradores deram conta da situação e indignaram-se. Contactaram a junta da freguesia da Glória na procura de um amparo mínimo a mais um exemplo de miséria social. A resposta foi tão evasiva quando inócua: "A responsável pela Assistência Social está de férias no Brasil e não deixou substituto". Depois disso contactaram o Bloco de Esquerda - Aveiro.
Em discussão sobre a nova estrutura orgânica do Município, o Bloco perguntou para que é que se criavam tantos gabinetes novos, alguns dependentes directamente do presidente do executivo, se, cada vez que um responsável por uma área vai de férias para o Brasil, os serviços ficam reduzidos a zero. Depois deu este exemplo e teve como resposta... o silêncio envergonhado.
Até hoje, e depois do início do processo de alguma exposição pública do caso, houve um telefonema a prometer resolver o problema da água e da electricidade. A falta de vontade do executivo do PSD esbarrou nas evidências e, a custo, lá terá que responder a um exigência da Esquerda.
Fica por esclarecer porque é que, em tantos gabinetes criados, e com tantos amigos e familiares dos membros do Executivo da pseudocoligação PSD/CDS a entrarem para os quadros da Câmara Municipal de Aveiro, ainda não se criou um grupo de detecção de casos de emergência social.
Apesar de tudo, este é também um exemplo de que vale a pena lutar!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

inaugurado edifício em construção


O Bloco de Esquerda inaugurou hoje o edifício em construção da sede da Junta da Freguesia da Glória, em Aveiro. Ainda está em construção, é verdade, mas esta inauguração serve para que o PSD e seu apêndice CDS comecem a pensar numa nova utilização para o edifício, que ficará em cerca de setecentos mil euros.
É que, se por um lado a coligação de direita decidiu construir este edifício no âmbito do Parque da Sustentabilidade, por outro decidiu também que aquela freguesia será agregada à da Vera Cruz, exactamente onde a lei prevê que ficará a nova sede.
O Bloco de Esquerda já tinha agendado, para o dia 14 de Dezembro, uma discussão na Assembleia da República para revogar a lei que extingue freguesias, assim como para discutir as várias petições com milhares de assinaturas a solicitar essa revogação. No entanto, para contornar essa discussão, PSD e CDS fizeram um agendamento potestativo, para os dias 6 e 7 do mesmo mês, com vista à promulgação da lei antes dessa discussão.
É uma forma de governar nas costas dos cidadãos e contra os cidadãos, mas é também a assumpção de que a direita não sabe o que anda a fazer ao país. A lei apresentada na Assembleia da República teve, aliás, como base uma proposta das suas estruturas locais de Aveiro, apresentada previamente na Assembleia Municipal. Diversos presidentes de freguesias que nas suas reuniões se tinham manifestado contra a extinção de freguesias, votaram então a favor daquilo de que pareciam discordar.
A extinção de freguesias não é mais do que uma exigência da Troika que, como todos sabem, não vai resolver absolutamente nada, já que o peso orçamental destas não chega a 1% do orçamento nacional. As concelhias do PSD e do CDS em Aveiro mostram assim o que são verdadeiramente, ou seja, apenas agências de serviços do poder central, mais troikistas que a Troika.
Agora, enquanto esperamos que se decida qual a nova utilidade a dar ao edifício em construção, pago com o dinheiro de todos nós, o Bloco de Esquerda continuará a lutar para que a lei seja revogada. A sessão para dia 14 mantém-se...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

está finning

O finning é uma das formas mais absurdas de pescar, até porque não se pesca nada. Praticamente só se mata. Consiste em cortar a barbatana a um tubarão, para fazer sopa, e devolver o animal ao mar que, sem conseguir nadar, encontra uma morte lenta e atroz.
O parlamento Europeu votou uma lei pelo fim desta barbárie, que foi aprovada essencialmente com os votos contra de alguns deputados portugueses e espanhóis. Leonel Moura acusa no Jornal de Negócios, e muito bem, os deputados portugueses de terem votado contra o fim do finning. Aquilo que ele não soube foi informar-se, pois nem todos o fizeram. As representantes do Bloco de Esquerda votaram  pelo fim desta prática.
O Bloco de Esquerda, aliás, tanto na Europa como no país, tem concentrado esforços na defesa e protecção dos direitos dos animais. Uma das formas de descredibilizar esse trabalho é mentindo a um país inteiro sobre o seu sentido de voto nesta questão. Leonel Moura conseguiu-o e o Jornal de Negócios também...