segunda-feira, 12 de novembro de 2012

o beijo da morte


É tudo muito simples, a Merkel veio hoje a Portugal para que o Coelho lhe beije a mão. Com esse beijo, tenta convencer os portugueses que aquilo que o seu vassalo está a fazer ao país é o único caminho possível. Tenta explicar que a austeridade e a miséria são a única forma de resolver os problemas de um país que viveu acima das suas possibilidades.
A questão é que já ninguém acredita nisto. Nem os portugueses viveram a cima das suas possibilidades, nem a austeridade é um caminho possível para chegar onde quer que seja. A não ser, claro, que se queira chegar à morte de um país. Este é assim, o beijo da morte. Por isso mesmo, um grupo de cidadãos livres decidiu protestar com esse beijo em três cidades: Lisboa, Porto e Aveiro, através da colocação de panos negros em algumas das suas estátuas. Não é um luto, é mesmo um protesto. Até porque quem defende os seus direitos até ao fim nunca morre.
Foi a Merkel, primeiro com Sócrates e depois com Coelho, que tentou convencer os portugueses que precisavam urgentemente de dinheiro para pagar salários, mas nem isso era verdade, nem o empréstimo era apenas um empréstimo.
De facto, nesta altura em que escrevo, a dívida nacional, por causa dos juros especulativos impostos ao Estado Português, já é superior à do dia anterior à entrada da Troika em Portugal em mais de 13 mil milhões de euros, mas os salários dos funcionários públicos ainda estão a ser pagos. A urgência era, assim, outra. Era a urgência da capitalização da enfraquecida banca alemã através dos países do sul da Europa. Este mecanismo, em que os bancos privados alemães pedem dinheiro barato ao Banco Central Europeu para o vender caro a Portugal, à Espanha e à Grécia, salva bancos e mata pessoas. É por isso que não o podemos tolerar.

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