quinta-feira, 20 de setembro de 2012

I like to move it, move it

A MoveAveiro, empresa municipal, vai abandonar três das oito linhas que os seus autocarros percorrem actualmente, cujo percursos passarão a ser feitos exclusivamente por empresas ligadas ao grupo privado Transdev. A justificação é a do costume: cortar nos custos da Câmara. Mas por uma enorme coincidência, essas três linhas são aquelas que mais pessoas movimentam e, portanto, aquelas que podem precisamente dar lucro. Entretanto, grande parte dos trabalhadores vai para o desemprego.
A Câmara Municipal diz que mantém prejuízos avultados, mesmo nesses percursos. É verdade, e é tão verdade quanto é propositado. O gestor da MoveAveiro, que por acaso é namorado da filha do actual vice-presidente Carlos Santos, fez uma gestão danosa durante anos para destruir a empresa municipal e assim justificar esta espécie de privatização. Exemplo disso são os cinco autocarros a hidrogénio (mais barato e melhor para o ambiente) que estão parados há anos enquanto os consumidores de gasóleo continuam em serviço.
Por falar em gasóleo, essa manutenção foi tão má que os tanques de combustível para abastecer os autocarros secaram por falta de pagamento aos fornecedores. Entretanto, e depois de se andarem a abastecer em estações de combustível comuns, a Transdev acabou por emprestar à MoveAveiro alguns litros que a Câmara nunca pagou. Está a pagar agora, doutra forma, entregando-lhe o monopólio das três linhas mais concorridas do concelho. E os monopólios já se sabe no que dão: um serviço pior e mais caro.
Este processo só pode ter um nome: roubo ao erário público e aos cidadãos, de tal forma que, como tem sido prática corrente em Aveiro, está a ser feito sem concurso público. É asneira a mais para podermos acreditar, mas é verdade.
A remunicipalização dos serviços de transporte é possível, enquadrando-a na lei da extinção dos serviços municipais, mas a Câmara prefere entregar de mão beijada uma negociata à Transdev e, simultaneamente, mandar dezenas de trabalhadores para a rua. É essa a orientação política da direita portuguesa, e é essa mesma que tem que acabar.
É que enquanto os trabalhadores sofrem as consequências desta política desastrosa, tudo o que dá dinheiro ao Estado vai sendo apropriado por empresas privadas. O Élio Maia é o único que dança: "I like to move it, move it"...

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