segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Até quando?


"Mãos ao ar, isto é um assalto!". Não foi exactamente isso que Passos Coelho disse na última sexta-feira, quando anunciou as novas (que não serão as últimas) medidas de austeridade ao país. Mas é como se fosse. Nas opções políticas não se vislumbra uma única opção estratégica para que Portugal possa vir a sair da crise económica em que anos e anos de tango entre o PS e o PSD o meteu, mas sente-se apenas uma arma apontada à cabeça dos trabalhadores portugueses.
Se Passos Coelho nos assalta, Paulo Portas escuda-se cobardemente atrás dele. Não segura na arma mas é ele quem leva o saco de valores. Um dia dirá que não fez parte disto. Mas fez.
Sete por cento da contribuição social paga à Segurança Social pelos empregadores passa agora a ser paga pelos trabalhadores, o que reduz o salário líquido a todos, mas mesmo todos os que dependem do seu trabalho para viver neste país. Nos salários mínimos, pensões de miséria e reformas, todos somos atingidos. Todos mesmo?! Não. De fora fica o capital. A coisa não ficará por aqui e já para Novembro, com a votação do novo Orçamento de Estado,  se prepara um novo assalto.
Nas redes sociais espalham-se as mensagens de desiludidos com o Governo, de eleitores que acreditaram que um partido de direita pode alguma vez na vida defender os interesses de quem trabalha contra os interesses dos grandes grupos económicos. Não pode, até porque esses grupos económicos se confundem com os próprios partidos de Direita. Más notícias: o Pai Natal não existe.
O jornal Público, por exemplo, apressou-se a publicar na capa que era tudo em nome do emprego. Por coincidência, o grupo Sonae é um dos que mais vai beneficiar com estas medidas, pois conta com milhares de trabalhadores nos seus quadros. O problema é que não vai dar mais emprego a ninguém. Muito pelo contrário, como o consumo vai diminuir, vai-se escudar nessa certeza para despedir.
A diminuição do consumo, aliás, vai acabar por atirar muitas pequenas e médias empresas para o desespero, consequentemente os seus trabalhadores também. Toda a gente, mas mesmo toda a gente, conhece esta relação entre o consumo interno e a saúde das PME's. Menos o Governo.
Há uma saída para a crise, mas está mais do que demonstrado que a Direita não a conhece. Precisamos urgentemente dum novo quadro político no país, que saiba reagir aos assaltos de que estamos a ser alvo. Enquanto ela não surgir, levamos porrada. Até quando?

Sem comentários: