sexta-feira, 21 de setembro de 2012

dividir para reinar

Há uma luta na qual os partidos da esfera do Poder se juntam a algumas das vítimas desse próprio Poder. É a luta pela descredibilização de todos os partidos. A explicação é fácil: enquanto os descontentes com a política actual não votarem em partidos alternativos, os partidos que já estão no Poder continuam a estar, pois é deles o voto sem sentido crítico do senso comum.
Cada vez que um desempregado, um trabalhador ou um estudante grita contra todos os partidos, há alguém no PS ou no PSD que bate palmas. É que os unidos ganham, os divididos perdem. A estratégia, aliás, é antiga e chama-se precisamente "Dividir Para Reinar".

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

I like to move it, move it

A MoveAveiro, empresa municipal, vai abandonar três das oito linhas que os seus autocarros percorrem actualmente, cujo percursos passarão a ser feitos exclusivamente por empresas ligadas ao grupo privado Transdev. A justificação é a do costume: cortar nos custos da Câmara. Mas por uma enorme coincidência, essas três linhas são aquelas que mais pessoas movimentam e, portanto, aquelas que podem precisamente dar lucro. Entretanto, grande parte dos trabalhadores vai para o desemprego.
A Câmara Municipal diz que mantém prejuízos avultados, mesmo nesses percursos. É verdade, e é tão verdade quanto é propositado. O gestor da MoveAveiro, que por acaso é namorado da filha do actual vice-presidente Carlos Santos, fez uma gestão danosa durante anos para destruir a empresa municipal e assim justificar esta espécie de privatização. Exemplo disso são os cinco autocarros a hidrogénio (mais barato e melhor para o ambiente) que estão parados há anos enquanto os consumidores de gasóleo continuam em serviço.
Por falar em gasóleo, essa manutenção foi tão má que os tanques de combustível para abastecer os autocarros secaram por falta de pagamento aos fornecedores. Entretanto, e depois de se andarem a abastecer em estações de combustível comuns, a Transdev acabou por emprestar à MoveAveiro alguns litros que a Câmara nunca pagou. Está a pagar agora, doutra forma, entregando-lhe o monopólio das três linhas mais concorridas do concelho. E os monopólios já se sabe no que dão: um serviço pior e mais caro.
Este processo só pode ter um nome: roubo ao erário público e aos cidadãos, de tal forma que, como tem sido prática corrente em Aveiro, está a ser feito sem concurso público. É asneira a mais para podermos acreditar, mas é verdade.
A remunicipalização dos serviços de transporte é possível, enquadrando-a na lei da extinção dos serviços municipais, mas a Câmara prefere entregar de mão beijada uma negociata à Transdev e, simultaneamente, mandar dezenas de trabalhadores para a rua. É essa a orientação política da direita portuguesa, e é essa mesma que tem que acabar.
É que enquanto os trabalhadores sofrem as consequências desta política desastrosa, tudo o que dá dinheiro ao Estado vai sendo apropriado por empresas privadas. O Élio Maia é o único que dança: "I like to move it, move it"...

sábado, 15 de setembro de 2012

a maior manifestação desde o 25 de Abril

Estiveram hoje em Aveiro, números da polícia, dez mil pessoas na manifestação em Aveiro contra a Troika e o Governo, naquela que foi a maior manifestação nacional desde o 25 de Abril. No país todo, aliás, com grande concentração em Lisboa e no Porto, cerca de um milhão de pessoas saiu à rua.
O Governo não caiu, mas aquilo que defende sim. A população não se revê na linha política do país e só falta saber se Passos Coelho, Vítor Gaspar, Paulo Portas e restante bando fazem parte dum Governo nacional, preocupado em servir a população, ou se vão continuar a desempenhar o seu papel de fantoches da Troika.
A pergunta que eu faço é muito simples: numa Democracia conta a voz das pessoas ou conta a voz do FMI? Por agora é só isto...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pedro Soares arrasa Paulo portas

Pedro Soares, deputado eleito pelo Bloco no círculo eleitoral de Aveiro, em conversa amena com Paulo Portas. Porque na política a palavra devia ter um valor contratual...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Que Se Lixe a Troika


Queremos As Nossas Vidas! 
Aveiro (Largo da Estação), 15 de Setembro, 17 Horas
Manifestações marcadas para todo o país! (Vê aqui!)

Até quando?


"Mãos ao ar, isto é um assalto!". Não foi exactamente isso que Passos Coelho disse na última sexta-feira, quando anunciou as novas (que não serão as últimas) medidas de austeridade ao país. Mas é como se fosse. Nas opções políticas não se vislumbra uma única opção estratégica para que Portugal possa vir a sair da crise económica em que anos e anos de tango entre o PS e o PSD o meteu, mas sente-se apenas uma arma apontada à cabeça dos trabalhadores portugueses.
Se Passos Coelho nos assalta, Paulo Portas escuda-se cobardemente atrás dele. Não segura na arma mas é ele quem leva o saco de valores. Um dia dirá que não fez parte disto. Mas fez.
Sete por cento da contribuição social paga à Segurança Social pelos empregadores passa agora a ser paga pelos trabalhadores, o que reduz o salário líquido a todos, mas mesmo todos os que dependem do seu trabalho para viver neste país. Nos salários mínimos, pensões de miséria e reformas, todos somos atingidos. Todos mesmo?! Não. De fora fica o capital. A coisa não ficará por aqui e já para Novembro, com a votação do novo Orçamento de Estado,  se prepara um novo assalto.
Nas redes sociais espalham-se as mensagens de desiludidos com o Governo, de eleitores que acreditaram que um partido de direita pode alguma vez na vida defender os interesses de quem trabalha contra os interesses dos grandes grupos económicos. Não pode, até porque esses grupos económicos se confundem com os próprios partidos de Direita. Más notícias: o Pai Natal não existe.
O jornal Público, por exemplo, apressou-se a publicar na capa que era tudo em nome do emprego. Por coincidência, o grupo Sonae é um dos que mais vai beneficiar com estas medidas, pois conta com milhares de trabalhadores nos seus quadros. O problema é que não vai dar mais emprego a ninguém. Muito pelo contrário, como o consumo vai diminuir, vai-se escudar nessa certeza para despedir.
A diminuição do consumo, aliás, vai acabar por atirar muitas pequenas e médias empresas para o desespero, consequentemente os seus trabalhadores também. Toda a gente, mas mesmo toda a gente, conhece esta relação entre o consumo interno e a saúde das PME's. Menos o Governo.
Há uma saída para a crise, mas está mais do que demonstrado que a Direita não a conhece. Precisamos urgentemente dum novo quadro político no país, que saiba reagir aos assaltos de que estamos a ser alvo. Enquanto ela não surgir, levamos porrada. Até quando?