sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ran Tam Plan

A RTP vai acabar tal como ela é nos dias de hoje. A RTP 1 vai ser concessionada e a RTP 2 vai acabar. Para poupar dinheiro, diz o Governo.
Há uma verdade nisto tudo. A RTP 1 deixou de respeitar a lógica do serviço público há muito tempo, para passar a ser um mero instrumento de propaganda política dos governos que vão passado pelo poder em Portugal. O PS e o PSD, aliás, são já dois partidos com uma vasta experiência em nomeações de directores de informação, e sempre as souberam fazer valer. Assim, ao concessionar o Primeiro Canal, este continuará a fazer exactamente o mesmo que faz actualmente: propaganda política, tal como faz a SIC e a TVI neste momento. Aliás, o propósito de todos é comum: defender o neoliberalismo que os suporta financeiramente.
O erro, ou a ingenuidade, está em acreditar que o Estado vai poupar dinheiro com a concessão. Passos Coelho, imitando Sócrates na perfeição, não faz um único contrato com privados que não lhes garanta uma renda fixa com dinheiro público, e a RTP não será excepção.
Já o Canal 2 se manteve sempre como serviço público. É por isso que, na óptica mesquinha de Passos Coelho, pode acabar. Tem pouca audiência e portanto não serve para propaganda. Além disso, os fins de divulgação cultural a que se propõe são, na óptica dum governo que se mostra ignorante todos os dias, dispensáveis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

por agora tenho dito...

Não defendo um modelo de um líder para o Bloco de Esquerda, nem de dois. Na verdade acho que essa é a discussão menos importante. O que eu defendo é que o próximo líder, ou os próximos, o sejam devido ao apoio das bases do partido e não a esta descendência de lógica monárquica que Francisco Louçã parece querer.
O ainda coordenador nacional do Bloco de Esquerda não devia, na minha opinião, propor nenhum nome para a sua sucessão. Ao fazê-lo, está conscientemente a condicionar a pluralidade democrática do partido, assim como a colocar fronteiras ao debate mais importante de todos desta força política, e que é o texto das moções apresentadas na próxima Convenção.
Estranho, ainda assim, que se venham a alterar os estatutos propositadamente para satisfazer o que parece ser a vontade de único aderente do partido que, é certo, foi uma figura imprescindível ao crescimento da Esquerda em Portugal e na Europa. Foi e espero que o continue a ser. Mas não é Rei.
Por agora tenho dito.