quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

a ponte da discórdia


A Câmara Municipal de Aveiro prepara-se para, a qualquer momento, fazer uma asneira enorme no centro da cidade. Uma asneira praticamente irreversível, diga-se de passagem (o termo passagem não é irónico), que é a construção duma ponte pedonal gigantesca exactamente no centro nevrálgico do espelho de água do canal central da ria. Depois desta asneira Aveiro nunca mais vai voltar a ser a mesma, e é com o coração partido que escrevo isto.
Para poupar cerca de dois minutos a atravessar as margens do canal central, entre o Rossio e o bairro do Alboi, constrói-se uma ponte com um custo a passar o meio milhão de euros e com uma volumetria tão exagerada que chega a parecer uma anedota. Pior, o que chega a parecer é que o presidente Élio Maia só insiste na asneira da ponte porque sabe que lhe fica mal fazer uma estátua a si mesmo. Pessoalmente eu preferia a estátua, que sempre se derruba mais facilmente do que uma ponte.
O primeiro grande erro do executivo camarário foi, aliás, fingir-se surdo perante o enorme movimento de cidadãos que se opõe à construção deste mamarracho há mais de dois anos, quando o mesmo ainda era apenas um projecto. Ter um umbigo demasiado grande (o termo umbigo também não é irónico) dá nisto, não se ouve aqueles que se representa e faz-se asneiras atrás de asneiras.
Aveiro precisa de investimento na mobilidade urbana, sem dúvida nenhuma, só que não é na construção duma ponte. É na ampliação e criação de espaços públicos que permitam andar a pé onde hoje não é possível fazê-lo, é na intensificação das linhas dos autocarros públicos e nas ligações com os concelhos vizinhos (Ílhavo, Águeda e Oliveira do Bairro principalmente).
Argumentos contra a ponte não faltam. É o custo excessivo para uma câmara que está sobre-endividada, é a localização, é a volumetria exagerada, é a relação custo/benefício e é também, se calhar principalmente, o simples facto de a maior parte dos cidadãos não a quererem.

O que vai faltando são os argumentos a favor. E por falar em estupidez, a JSD conseguiu utilizar como exemplo um outro mamarracho para perguntar onde estavam o Bloco e os cidadãos quando ele foi construído. Trata-se do Centro Comercial Avenida, construído por volta de 1993 (se a memória não me falha) na expectativa que o edifício da Capitania caísse duma vez por todas. A JSD tem razão, o edifício é um mamarracho que nunca devia ter sido feito, mas a sua ignorância lacónica está nas perguntas que faz e a que eu, de forma compreensiva, respondo.

1) O Bloco de Esquerda ainda não existia em 1993. Infelizmente, claro. Se existisse muito provavelmente teria exigido a discussão pública sobre o mamarracho que à época o PSD não exigiu.

2) Os Amigos da Avenida também não existiam, mas foi um grupo de cidadãos que, través dum abaixo-assinado, obrigou a que o edifício da Capitania fosse recuperado e tapasse a asneira que o executivo camarário da época deixou fazer.
Mas o melhor de tudo é que nessa época era o CDS, sempre com o apoio voluntário do PSD, que estava no poder em Aveiro...


2 comentários:

Josh Gottam disse...

Felizmente que não deve existir financiamente ou capitais próprios para fazer avançar a coisa...
Se não for assim...

bagaco amarelo disse...

josh gottam, em aveiro não é preciso dinheiro para fazer asneiras. fica-se a dever. o estaleiro já lá está montado. :)