sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

há coisas fantásticas, não há?

Uma aventura na Assembleia de Freguesia da Glória

Os deputados do PS votaram a favor, ontem, o Orçamento da Junta de Freguesia da Glória para 2013. Nada demais, afinal de contas é normal ver o PS a viabilizar orçamentos do PSD e do CDS um pouco por todos o país, incluindo a Assembleia da República. É uma escola, portanto, esta viabilização.
Estranho é que se aprove um Orçamento sem qualquer argumento favorável ou contrário ao documento. Aliás, apenas o Bloco de Esquerda pediu para intervir, tarefa difícil porque, conforme o presidente da Mesa foi dizendo, era melhor não perder muito tempo a falar porque havia ali gente com pressa de ir embora. Fantástico! Aliás, na ausência prolongada de declarações da bancada do PSD (apenas um dos seus deputados pediu para fazer várias intervenções), o líder da bancada do PS conseguiu cometer a proeza de, na primeira vez que falou, aceitar que estava errado mas tinha que continuar a sua intervenção assim porque era o que tinha escrito no papel. Tratava-se de criticar o voto a favor da Reorganização Administrativa do território, na Assembleia Municipal, do presidente daquela Junta. Só que o presidente tinha votado contra. Reacção: "Pois! Mas agora tenho que continuar a ler isto assim porque é o que está escrito". Fantástico de novo.
Mas voltando ao orçamento, aquilo é "come e cala". Não se fazem perguntas e por isso não há respostas. O Bloco criticou, entre outros aspectos, o facto de se gastar a mesma verba com noventa pessoas que praticam chu-king e hidroginástica (que mesmo assim pagam as sessões) e com um programa de acção social para pelo menos 270 famílias (ou seja, mais de setecentas pessoas) identificadas num estado de emergência social. Criticou também, por exemplo, que se gaste mais de dez vez mais na construção dum edifício (casa da sustentabilidade: €509.900,00 em 2013) do que com todo o programa de ordenamento do território (€45.500,00) que, assim, se resumirá a três ruas. Não teve resposta. Foi o único a votar contra.
Demonstrada ficou a promiscuidade entre a venda dum terreno à Mc Donalds para a construção de um restaurante daquela multinacional e a candidatura da Junta a um programa de apoio social para a construção de um balneário público. Em nome da transparência, foi explicado a deputado do Bloco que os elementos da Junta se deslocaram ao Porto para fazer a escritura e, assim que receberam o cheque, um senhor disse-lhes: "agora já estão em condições preferenciais para entrarem na parte social da empresa". Uau!
Eufórico, o PS saiu em defesa do PSD e chamou o Bloco de partido utópico nesta questão. Para o PS é utópico, portanto, construir um balneário público com dinheiros públicos, com alguns chuveiros, torneiras e água corrente. Eu não sei quantos balneários deste género existem no Estádio Municipal de Futebol com 30 000 lugares que o PS mandou construir há uns anos, mas sei que tem uma assistência média inferior a 1000 pessoas. De utopia estamos conversados. De palermice também.

domingo, 16 de dezembro de 2012

a miséria destapada

(guardar a imagem no disco duro, para conseguir ler)

O Diário de Aveiro publicou ontem uma notícia sobre a denúncia feita pelo Bloco de Esquerda - Aveiro sobre um exemplo de miséria escondida em Aveiro, à qual os serviços sociais da Câmara viraram as costas.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

a miséria escondida

Não há miséria pior do que aquela que se esconde.
O Bloco de Esquerda teve conhecimento, através de alguns moradores, de mais um caso de manifesto desprezo da autarquia aveirense pelos direitos mais básicos e essenciais da população, e denunciou-o na Assembleia Municipal. Preto no Branco. Os resultados não se fizeram esperar.
M., moradora no Bairro de Santiago, não tem emprego, está doente e sozinha e mesmo assim nunca conseguiu nenhuma contribuição do Estado. A edp cortou-lhe o fornecimento de energia eléctrica, por falta de pagamento, e o mesmo aconteceu com a água e com o gás. Ficou sem nada, a não ser o direito de habitar uma casa de renda social, paga a custo pela magra pensão de um familiar que não pode fazer mais do que isso.
Alguns moradores deram conta da situação e indignaram-se. Contactaram a junta da freguesia da Glória na procura de um amparo mínimo a mais um exemplo de miséria social. A resposta foi tão evasiva quando inócua: "A responsável pela Assistência Social está de férias no Brasil e não deixou substituto". Depois disso contactaram o Bloco de Esquerda - Aveiro.
Em discussão sobre a nova estrutura orgânica do Município, o Bloco perguntou para que é que se criavam tantos gabinetes novos, alguns dependentes directamente do presidente do executivo, se, cada vez que um responsável por uma área vai de férias para o Brasil, os serviços ficam reduzidos a zero. Depois deu este exemplo e teve como resposta... o silêncio envergonhado.
Até hoje, e depois do início do processo de alguma exposição pública do caso, houve um telefonema a prometer resolver o problema da água e da electricidade. A falta de vontade do executivo do PSD esbarrou nas evidências e, a custo, lá terá que responder a um exigência da Esquerda.
Fica por esclarecer porque é que, em tantos gabinetes criados, e com tantos amigos e familiares dos membros do Executivo da pseudocoligação PSD/CDS a entrarem para os quadros da Câmara Municipal de Aveiro, ainda não se criou um grupo de detecção de casos de emergência social.
Apesar de tudo, este é também um exemplo de que vale a pena lutar!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

inaugurado edifício em construção


O Bloco de Esquerda inaugurou hoje o edifício em construção da sede da Junta da Freguesia da Glória, em Aveiro. Ainda está em construção, é verdade, mas esta inauguração serve para que o PSD e seu apêndice CDS comecem a pensar numa nova utilização para o edifício, que ficará em cerca de setecentos mil euros.
É que, se por um lado a coligação de direita decidiu construir este edifício no âmbito do Parque da Sustentabilidade, por outro decidiu também que aquela freguesia será agregada à da Vera Cruz, exactamente onde a lei prevê que ficará a nova sede.
O Bloco de Esquerda já tinha agendado, para o dia 14 de Dezembro, uma discussão na Assembleia da República para revogar a lei que extingue freguesias, assim como para discutir as várias petições com milhares de assinaturas a solicitar essa revogação. No entanto, para contornar essa discussão, PSD e CDS fizeram um agendamento potestativo, para os dias 6 e 7 do mesmo mês, com vista à promulgação da lei antes dessa discussão.
É uma forma de governar nas costas dos cidadãos e contra os cidadãos, mas é também a assumpção de que a direita não sabe o que anda a fazer ao país. A lei apresentada na Assembleia da República teve, aliás, como base uma proposta das suas estruturas locais de Aveiro, apresentada previamente na Assembleia Municipal. Diversos presidentes de freguesias que nas suas reuniões se tinham manifestado contra a extinção de freguesias, votaram então a favor daquilo de que pareciam discordar.
A extinção de freguesias não é mais do que uma exigência da Troika que, como todos sabem, não vai resolver absolutamente nada, já que o peso orçamental destas não chega a 1% do orçamento nacional. As concelhias do PSD e do CDS em Aveiro mostram assim o que são verdadeiramente, ou seja, apenas agências de serviços do poder central, mais troikistas que a Troika.
Agora, enquanto esperamos que se decida qual a nova utilidade a dar ao edifício em construção, pago com o dinheiro de todos nós, o Bloco de Esquerda continuará a lutar para que a lei seja revogada. A sessão para dia 14 mantém-se...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

está finning

O finning é uma das formas mais absurdas de pescar, até porque não se pesca nada. Praticamente só se mata. Consiste em cortar a barbatana a um tubarão, para fazer sopa, e devolver o animal ao mar que, sem conseguir nadar, encontra uma morte lenta e atroz.
O parlamento Europeu votou uma lei pelo fim desta barbárie, que foi aprovada essencialmente com os votos contra de alguns deputados portugueses e espanhóis. Leonel Moura acusa no Jornal de Negócios, e muito bem, os deputados portugueses de terem votado contra o fim do finning. Aquilo que ele não soube foi informar-se, pois nem todos o fizeram. As representantes do Bloco de Esquerda votaram  pelo fim desta prática.
O Bloco de Esquerda, aliás, tanto na Europa como no país, tem concentrado esforços na defesa e protecção dos direitos dos animais. Uma das formas de descredibilizar esse trabalho é mentindo a um país inteiro sobre o seu sentido de voto nesta questão. Leonel Moura conseguiu-o e o Jornal de Negócios também...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Mr Troika e a Miss Portugalia

Afinal havia dinheiro para salários

Não é novidade nenhuma. Para convencer os portugueses de que o empréstimo que os bancos alemães fizeram a Portugal, através da Troika, era mesmo necessário, foi dito que já não havia dinheiro para pagar salários. Não era verdade. Aliás, pagar salários começa a ser difícil agora que a dívida é bastante maior por causa dos juros pagos a esses bancos.
O Bloco sempre disse que era mentira, e recusou-se a ajoelhar-se perante uma reunião que não passava duma farsa. Agora, quem o diz também, é Emanuel dos Santos, ex-secretário do Estado do Orçamento entre 2005 e 2011, ou seja, dos governos de Sócrates.



Quem se sentou à mesa com a Troika e assinou o pacto para destruir o tecido produtivo e o Estado Social deste país sabia o que estava a fazer. Sabia até que estava a ser passada uma factura aos trabalhadores portugueses pela sua própria incompetência na gestão do país.
O Mr Troika e a Miss Portugalia fazem a festa em reuniões onde ninguém sabe o que é discutido. Nem como. Sabe-se apenas quais são as consequências: desemprego, pobreza e fome. Só pode ser uma festa!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

o beijo da morte


É tudo muito simples, a Merkel veio hoje a Portugal para que o Coelho lhe beije a mão. Com esse beijo, tenta convencer os portugueses que aquilo que o seu vassalo está a fazer ao país é o único caminho possível. Tenta explicar que a austeridade e a miséria são a única forma de resolver os problemas de um país que viveu acima das suas possibilidades.
A questão é que já ninguém acredita nisto. Nem os portugueses viveram a cima das suas possibilidades, nem a austeridade é um caminho possível para chegar onde quer que seja. A não ser, claro, que se queira chegar à morte de um país. Este é assim, o beijo da morte. Por isso mesmo, um grupo de cidadãos livres decidiu protestar com esse beijo em três cidades: Lisboa, Porto e Aveiro, através da colocação de panos negros em algumas das suas estátuas. Não é um luto, é mesmo um protesto. Até porque quem defende os seus direitos até ao fim nunca morre.
Foi a Merkel, primeiro com Sócrates e depois com Coelho, que tentou convencer os portugueses que precisavam urgentemente de dinheiro para pagar salários, mas nem isso era verdade, nem o empréstimo era apenas um empréstimo.
De facto, nesta altura em que escrevo, a dívida nacional, por causa dos juros especulativos impostos ao Estado Português, já é superior à do dia anterior à entrada da Troika em Portugal em mais de 13 mil milhões de euros, mas os salários dos funcionários públicos ainda estão a ser pagos. A urgência era, assim, outra. Era a urgência da capitalização da enfraquecida banca alemã através dos países do sul da Europa. Este mecanismo, em que os bancos privados alemães pedem dinheiro barato ao Banco Central Europeu para o vender caro a Portugal, à Espanha e à Grécia, salva bancos e mata pessoas. É por isso que não o podemos tolerar.

sábado, 10 de novembro de 2012

O que é o Bloco hoje...



Apresentação da moção A pelo deputado Pedro Filipe Soares, na VIII Convenção do Bloco de Esquerda.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O que é que faz um homem nu?

Pergunto-me a mim próprio como é que cada português que ainda tenciona votar num partido da esfera do poder, um qualquer, seja o PS, o PSD ou o CDS,  reagiria perante um assalto. Confrontado numa esquina qualquer duma cidade com um homem armado, pediria ao assaltante para baixar a arma e entregaria a carteira e a roupa de boa vontade. Só pode.

- Baixe lá a arma, homem! Leve tudo o que eu tenho e tudo o que eu hei-de ter. Eu cá me safo. Com fome  e frio, é certo, mas cá me safo.

O que é que faz um homem nu? O que é que faz um homem a quem, depois de anos a viver no limite, disseram que tem uma dívida enorme porque viveu acima das suas possibilidades? Diz que sim a tudo? Talvez sim, talvez não.
O que é que faz um homem nu? Chama a si a dívida que foi o roubo do BPN? Chama a si a dívida dos juros especulativos da Troika? Não come e cala?
O que é que quer um homem nu? E eu que pensava que queria vestir-se. Sair por aí e comer qualquer coisa. E eu que pensava que queria trabalhar, estudar, ouvir um disco, ir ao teatro. Enganei-me?


terça-feira, 16 de outubro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

dividir para reinar

Há uma luta na qual os partidos da esfera do Poder se juntam a algumas das vítimas desse próprio Poder. É a luta pela descredibilização de todos os partidos. A explicação é fácil: enquanto os descontentes com a política actual não votarem em partidos alternativos, os partidos que já estão no Poder continuam a estar, pois é deles o voto sem sentido crítico do senso comum.
Cada vez que um desempregado, um trabalhador ou um estudante grita contra todos os partidos, há alguém no PS ou no PSD que bate palmas. É que os unidos ganham, os divididos perdem. A estratégia, aliás, é antiga e chama-se precisamente "Dividir Para Reinar".

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

I like to move it, move it

A MoveAveiro, empresa municipal, vai abandonar três das oito linhas que os seus autocarros percorrem actualmente, cujo percursos passarão a ser feitos exclusivamente por empresas ligadas ao grupo privado Transdev. A justificação é a do costume: cortar nos custos da Câmara. Mas por uma enorme coincidência, essas três linhas são aquelas que mais pessoas movimentam e, portanto, aquelas que podem precisamente dar lucro. Entretanto, grande parte dos trabalhadores vai para o desemprego.
A Câmara Municipal diz que mantém prejuízos avultados, mesmo nesses percursos. É verdade, e é tão verdade quanto é propositado. O gestor da MoveAveiro, que por acaso é namorado da filha do actual vice-presidente Carlos Santos, fez uma gestão danosa durante anos para destruir a empresa municipal e assim justificar esta espécie de privatização. Exemplo disso são os cinco autocarros a hidrogénio (mais barato e melhor para o ambiente) que estão parados há anos enquanto os consumidores de gasóleo continuam em serviço.
Por falar em gasóleo, essa manutenção foi tão má que os tanques de combustível para abastecer os autocarros secaram por falta de pagamento aos fornecedores. Entretanto, e depois de se andarem a abastecer em estações de combustível comuns, a Transdev acabou por emprestar à MoveAveiro alguns litros que a Câmara nunca pagou. Está a pagar agora, doutra forma, entregando-lhe o monopólio das três linhas mais concorridas do concelho. E os monopólios já se sabe no que dão: um serviço pior e mais caro.
Este processo só pode ter um nome: roubo ao erário público e aos cidadãos, de tal forma que, como tem sido prática corrente em Aveiro, está a ser feito sem concurso público. É asneira a mais para podermos acreditar, mas é verdade.
A remunicipalização dos serviços de transporte é possível, enquadrando-a na lei da extinção dos serviços municipais, mas a Câmara prefere entregar de mão beijada uma negociata à Transdev e, simultaneamente, mandar dezenas de trabalhadores para a rua. É essa a orientação política da direita portuguesa, e é essa mesma que tem que acabar.
É que enquanto os trabalhadores sofrem as consequências desta política desastrosa, tudo o que dá dinheiro ao Estado vai sendo apropriado por empresas privadas. O Élio Maia é o único que dança: "I like to move it, move it"...

sábado, 15 de setembro de 2012

a maior manifestação desde o 25 de Abril

Estiveram hoje em Aveiro, números da polícia, dez mil pessoas na manifestação em Aveiro contra a Troika e o Governo, naquela que foi a maior manifestação nacional desde o 25 de Abril. No país todo, aliás, com grande concentração em Lisboa e no Porto, cerca de um milhão de pessoas saiu à rua.
O Governo não caiu, mas aquilo que defende sim. A população não se revê na linha política do país e só falta saber se Passos Coelho, Vítor Gaspar, Paulo Portas e restante bando fazem parte dum Governo nacional, preocupado em servir a população, ou se vão continuar a desempenhar o seu papel de fantoches da Troika.
A pergunta que eu faço é muito simples: numa Democracia conta a voz das pessoas ou conta a voz do FMI? Por agora é só isto...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pedro Soares arrasa Paulo portas

Pedro Soares, deputado eleito pelo Bloco no círculo eleitoral de Aveiro, em conversa amena com Paulo Portas. Porque na política a palavra devia ter um valor contratual...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Que Se Lixe a Troika


Queremos As Nossas Vidas! 
Aveiro (Largo da Estação), 15 de Setembro, 17 Horas
Manifestações marcadas para todo o país! (Vê aqui!)

Até quando?


"Mãos ao ar, isto é um assalto!". Não foi exactamente isso que Passos Coelho disse na última sexta-feira, quando anunciou as novas (que não serão as últimas) medidas de austeridade ao país. Mas é como se fosse. Nas opções políticas não se vislumbra uma única opção estratégica para que Portugal possa vir a sair da crise económica em que anos e anos de tango entre o PS e o PSD o meteu, mas sente-se apenas uma arma apontada à cabeça dos trabalhadores portugueses.
Se Passos Coelho nos assalta, Paulo Portas escuda-se cobardemente atrás dele. Não segura na arma mas é ele quem leva o saco de valores. Um dia dirá que não fez parte disto. Mas fez.
Sete por cento da contribuição social paga à Segurança Social pelos empregadores passa agora a ser paga pelos trabalhadores, o que reduz o salário líquido a todos, mas mesmo todos os que dependem do seu trabalho para viver neste país. Nos salários mínimos, pensões de miséria e reformas, todos somos atingidos. Todos mesmo?! Não. De fora fica o capital. A coisa não ficará por aqui e já para Novembro, com a votação do novo Orçamento de Estado,  se prepara um novo assalto.
Nas redes sociais espalham-se as mensagens de desiludidos com o Governo, de eleitores que acreditaram que um partido de direita pode alguma vez na vida defender os interesses de quem trabalha contra os interesses dos grandes grupos económicos. Não pode, até porque esses grupos económicos se confundem com os próprios partidos de Direita. Más notícias: o Pai Natal não existe.
O jornal Público, por exemplo, apressou-se a publicar na capa que era tudo em nome do emprego. Por coincidência, o grupo Sonae é um dos que mais vai beneficiar com estas medidas, pois conta com milhares de trabalhadores nos seus quadros. O problema é que não vai dar mais emprego a ninguém. Muito pelo contrário, como o consumo vai diminuir, vai-se escudar nessa certeza para despedir.
A diminuição do consumo, aliás, vai acabar por atirar muitas pequenas e médias empresas para o desespero, consequentemente os seus trabalhadores também. Toda a gente, mas mesmo toda a gente, conhece esta relação entre o consumo interno e a saúde das PME's. Menos o Governo.
Há uma saída para a crise, mas está mais do que demonstrado que a Direita não a conhece. Precisamos urgentemente dum novo quadro político no país, que saiba reagir aos assaltos de que estamos a ser alvo. Enquanto ela não surgir, levamos porrada. Até quando?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ran Tam Plan

A RTP vai acabar tal como ela é nos dias de hoje. A RTP 1 vai ser concessionada e a RTP 2 vai acabar. Para poupar dinheiro, diz o Governo.
Há uma verdade nisto tudo. A RTP 1 deixou de respeitar a lógica do serviço público há muito tempo, para passar a ser um mero instrumento de propaganda política dos governos que vão passado pelo poder em Portugal. O PS e o PSD, aliás, são já dois partidos com uma vasta experiência em nomeações de directores de informação, e sempre as souberam fazer valer. Assim, ao concessionar o Primeiro Canal, este continuará a fazer exactamente o mesmo que faz actualmente: propaganda política, tal como faz a SIC e a TVI neste momento. Aliás, o propósito de todos é comum: defender o neoliberalismo que os suporta financeiramente.
O erro, ou a ingenuidade, está em acreditar que o Estado vai poupar dinheiro com a concessão. Passos Coelho, imitando Sócrates na perfeição, não faz um único contrato com privados que não lhes garanta uma renda fixa com dinheiro público, e a RTP não será excepção.
Já o Canal 2 se manteve sempre como serviço público. É por isso que, na óptica mesquinha de Passos Coelho, pode acabar. Tem pouca audiência e portanto não serve para propaganda. Além disso, os fins de divulgação cultural a que se propõe são, na óptica dum governo que se mostra ignorante todos os dias, dispensáveis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

por agora tenho dito...

Não defendo um modelo de um líder para o Bloco de Esquerda, nem de dois. Na verdade acho que essa é a discussão menos importante. O que eu defendo é que o próximo líder, ou os próximos, o sejam devido ao apoio das bases do partido e não a esta descendência de lógica monárquica que Francisco Louçã parece querer.
O ainda coordenador nacional do Bloco de Esquerda não devia, na minha opinião, propor nenhum nome para a sua sucessão. Ao fazê-lo, está conscientemente a condicionar a pluralidade democrática do partido, assim como a colocar fronteiras ao debate mais importante de todos desta força política, e que é o texto das moções apresentadas na próxima Convenção.
Estranho, ainda assim, que se venham a alterar os estatutos propositadamente para satisfazer o que parece ser a vontade de único aderente do partido que, é certo, foi uma figura imprescindível ao crescimento da Esquerda em Portugal e na Europa. Foi e espero que o continue a ser. Mas não é Rei.
Por agora tenho dito.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Assembleia olé, assembleia olé, assembleia olé!

A sessão da Assembleia Municipal de Aveiro, marcada para ontem, dia 27 de Junho de 2012, não se realizou por falta de quórum. Por coincidência, ao mesmo tempo jogava-se a meia-final do campeonato da Europa de futebol entre Espanha e Portugal.
À hora da chamada encontravam-se na sala apenas os dois deputados do Bloco de Esquerda e quatro dos onze do Partido Socialista. Todos os deputados do PSD, todos os deputados do CDS e o único deputado do PCP faltaram. Até o próprio presidente da Câmara, Élio Maia, e o presidente da Mesa da Assembleia, Capão Filipe, faltaram. Eu ia dizer que todos eles deviam tirar uma ilação clara do que aconteceu, mas quem o deve fazer mesmo são os aveirenses e os eleitores.
Substituir trabalho político agendado pelo visionamento de um jogo de futebol não é apenas grave, como revela uma total falta de responsabilidade e de respeito para com os cidadãos. Ainda mais numa altura em que tudo está mais do que atrasado na Assembleia. A primeira sessão de Junho terá que começar, aliás, sem a de Abril estar concluída, revelando também uma total falta de competência do CDS na presidência. Faltam discutir vários regulamentos, compromissos plurianuais e até uma Revisão Orçamental, mas para a maior parte dos políticos nada disto interessa quando joga a selecção.
A direita, e também o PCP, têm-me desiludido muito na sua relação com o futebol no concelho de Aveiro, mas admito que disto não estava mesmo à espera. Não é só mau, é uma vergonha, e é por causa de situações deste baixo nível que os cidadãos se vão afastando da política e dos políticos. Por favor, acreditem que não são todos iguais...
O mais irónico disto é que os partidos cujos deputados faltaram em massa, são precisamente aqueles que estão a exigir esforços enormes aos portugueses em nome duma crise que eles próprios criaram. Quem é que tem o direito de pedir um esforço que seja quando nem sequer é capaz de abdicar dum jogo televisionado num dia de trabalho político? Pois é...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

pela vitória da Grécia contra a chantagem

Nas eleições do início de Maio, o povo grego rejeitou a política da troika. Desde então, o governo da Alemanha, a Comissão Europeia e o FMI ameaçam a Grécia com a expulsão do euro ou da União. Esta chantagem procura evitar que, no próximo 17 de Junho, vença um governo da esquerda contra a troika. A vitória de um governo unitário de esquerda é decisiva para a Grécia, mas abre também caminhos para rejeitar o dogma da austeridade e a tirania da dívida na Europa. Apelamos à solidariedade internacional com a democracia na Grécia. Apoiamos a coligação Syriza na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota. Apoiamos a esquerda grega contra a troika porque também é necessário que a esquerda portuguesa construa caminhos de coerência e alternativas corajosas, fale sem meias palavras e conquiste a maioria.

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terça-feira, 1 de maio de 2012

sabe bem votar tão pouco


Talvez eu tenha sido um dos únicos que não ficou espantado pela forma como, mais uma vez, um número significativo de cidadãos portugueses se sujeitou à humilhação de um grande grupo económico. Estou a falar da Jerónimo Martins, dos supermercados Pingo Doce e dos milhares que se sujeitaram a horas de espera, empurrões e até tiros, tudo para poderem ter acesso a mais uma campanha promocional.
A ideia que fica é de um grupo enorme de galináceos a lutar pelos grãos de milho que alguém atirou para o chão. A certeza é que este povo já não tem Amor próprio e não sabe, nem quer saber, porque é que está pobre. A miséria explica-se, muitas vezes, através dela mesma.
Este é o povo que elege, há demasiados anos, governos que o levam a isto mesmo: à pobreza e à humilhação. É o povo que elege sempre os mesmos, cada vez tem menos vida, e depois se indigna porque um árbitro se enganou a marcar um fora de jogo numa partida qualquer de futebol.
Em Portugal vota-se pouco, e depois sobram os que votam mal. Por um momento percebi em que é que a direita portuguesa é bastante melhor que a Esquerda. A direita sabe o povo que tem, e desce ao nível exigido para ganhar eleições. A Esquerda não...

quinta-feira, 8 de março de 2012

porque é que os aveirenses pagam cada vez mais pela água das suas torneiras?

A resposta, infelizmente, é fácil. Pagam mais porque se instalaram interesses privados na venda da água, e portanto esta passou a ser alvo da especulação, numa lógica de mercado, como o é outra mercadoria qualquer. O problema é que a água não é uma mercadoria qualquer. É, isso sim, um recurso natural que pertence a todos e ao qual todos, independentemente do seu estrato económico, deviam ter direito.
Na região de Aveiro, a água é actualmente captada pela Associação de Municípios do Carvoeiro - Vouga (AMCV), com Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo e Murtosa, à qual actualmente se estão a juntar os municípios de Vagos e Oliveira do Bairro. Esta associação, criada em 1986 com dinheiros públicos, está no entanto concessionada à Àguas do Vouga SA, cujo total do capital pertence à empresa Aquapor Serviços. Confusos?! Eu simplifico: na prática, quem ganha dinheiro com a captação pública da água no Carvoeiro é a Aquapor Serviços. Tão simples quanto isto.
Entretanto, como é do conhecimento geral, a distribuição de água no concelho de Aveiro já não é feita pelos serviços municipalizados, mas sim pela AdRA – Águas da Região de Aveiro, S.A., um empresa com 51% da Águas de Portugal e 49% de municípios diversos.
A água captada pelo sistema do Carvoeiro é que fornece a AdRA, ou seja, a AdRA paga à Associação de Municípios do Carvoeiro que, por sua vez, está concessionada à Águas do Vouga, cujo dinheiro acaba todinho na... Aquapor Serviços.
Todinho e mais algum, já que os investimentos na modernização da captação de água continuam a ser públicos, ou seja, com o dinheiro de todos nós que trabalhamos, bebemos água e tomamos banho. Por exemplo, o próximo investimento, que será de 30,4 milhões de euros, será co-financiado pelo programa europeu POVT em 16,84 milhões de euros e o resto em adiantamentos aos vários municípios por parte da concessionária. Tudo dinheiro público, portanto. O mais interessante é que a AMCV, devido a este investimento, já fez saber que o preço das tarifas da Adra terá que aumentar novamente, desta vez 4,6%, passando de 2,86 euros para 2,99 euros por metro cúbico.
Um investimento com dinheiro público vai provocar um aumento na água que esse próprio público paga. Não faz sentido nenhum, a não ser que se concorde com este roubo legalizado que acaba todo nos cofres da Aquapor Serviços.
Em tempo útil, o Bloco de Esquerda em Aveiro solicitou ao município que saísse da Adra, e avisou para a mascarada privatização da água em Aveiro e no país. PS, PSD e CDS votaram contra. Agora é isto.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

a ponte da discórdia


A Câmara Municipal de Aveiro prepara-se para, a qualquer momento, fazer uma asneira enorme no centro da cidade. Uma asneira praticamente irreversível, diga-se de passagem (o termo passagem não é irónico), que é a construção duma ponte pedonal gigantesca exactamente no centro nevrálgico do espelho de água do canal central da ria. Depois desta asneira Aveiro nunca mais vai voltar a ser a mesma, e é com o coração partido que escrevo isto.
Para poupar cerca de dois minutos a atravessar as margens do canal central, entre o Rossio e o bairro do Alboi, constrói-se uma ponte com um custo a passar o meio milhão de euros e com uma volumetria tão exagerada que chega a parecer uma anedota. Pior, o que chega a parecer é que o presidente Élio Maia só insiste na asneira da ponte porque sabe que lhe fica mal fazer uma estátua a si mesmo. Pessoalmente eu preferia a estátua, que sempre se derruba mais facilmente do que uma ponte.
O primeiro grande erro do executivo camarário foi, aliás, fingir-se surdo perante o enorme movimento de cidadãos que se opõe à construção deste mamarracho há mais de dois anos, quando o mesmo ainda era apenas um projecto. Ter um umbigo demasiado grande (o termo umbigo também não é irónico) dá nisto, não se ouve aqueles que se representa e faz-se asneiras atrás de asneiras.
Aveiro precisa de investimento na mobilidade urbana, sem dúvida nenhuma, só que não é na construção duma ponte. É na ampliação e criação de espaços públicos que permitam andar a pé onde hoje não é possível fazê-lo, é na intensificação das linhas dos autocarros públicos e nas ligações com os concelhos vizinhos (Ílhavo, Águeda e Oliveira do Bairro principalmente).
Argumentos contra a ponte não faltam. É o custo excessivo para uma câmara que está sobre-endividada, é a localização, é a volumetria exagerada, é a relação custo/benefício e é também, se calhar principalmente, o simples facto de a maior parte dos cidadãos não a quererem.

O que vai faltando são os argumentos a favor. E por falar em estupidez, a JSD conseguiu utilizar como exemplo um outro mamarracho para perguntar onde estavam o Bloco e os cidadãos quando ele foi construído. Trata-se do Centro Comercial Avenida, construído por volta de 1993 (se a memória não me falha) na expectativa que o edifício da Capitania caísse duma vez por todas. A JSD tem razão, o edifício é um mamarracho que nunca devia ter sido feito, mas a sua ignorância lacónica está nas perguntas que faz e a que eu, de forma compreensiva, respondo.

1) O Bloco de Esquerda ainda não existia em 1993. Infelizmente, claro. Se existisse muito provavelmente teria exigido a discussão pública sobre o mamarracho que à época o PSD não exigiu.

2) Os Amigos da Avenida também não existiam, mas foi um grupo de cidadãos que, través dum abaixo-assinado, obrigou a que o edifício da Capitania fosse recuperado e tapasse a asneira que o executivo camarário da época deixou fazer.
Mas o melhor de tudo é que nessa época era o CDS, sempre com o apoio voluntário do PSD, que estava no poder em Aveiro...


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

decrescimento

Dizem os homens da Esquerda política que um dos grandes males do Capitalismo é ter que estar sempre em crescimento económico, nem que seja artificialmente. Este crescimento contínuo leva a uma exagerada concentração de capital numa pequena parte da população mundial, gerando pobreza por um lado, e à criação de desperdício, gerando problemas ambientais graves por outro. Um modelo económico tem de poder decrescer a qualquer altura sem gerar problemas sociais. Eu concordo.
Um exemplo muito simples de como isto é verdade vem do nosso próprio consumo. Por causa das grandes superfícies cada vez consumimos mais em menos sítios, isto é, compramos tudo (comida, sapatos, electrónica, roupa, etc) sempre aos mesmos grupos económicos. Ao mesmo tempo consumimos todos cada vez mais desperdício, já que hoje em dia até para comprar um parafuso trazemos uma embalagem de cartão e plástico.
Os capitalistas ou os homens de Direita, como preferirem, estão a ganhar esta batalha ideológica ao mesmo tempo que nos prejudicam a todos, por uma razão muito simples. Descobriram há muito tempo que não têm que satisfazer as necessidades reais das populações mas sim fazerem-nas acreditar que poderão suprir as suas expectativas com o consumo. Todos nós morremos por aí, pela expectativa, tal como uma cobra que se alimenta de si mesma.
O grande erro da Esquerda (e também a sua virtude) é que não cria expectativas em ninguém. Não é criativa mas sim metódica. De tal forma que a maior parte das pessoas não quer nem ouvir falar dela, mesmo que não tenha onde cair morta. O Socialismo é um pão e um copo de água, o Capitalismo é um isco apetitoso mas... sempre preso a um anzol.
O crescimento económico contínuo do Capitalismo tem ainda outra pequena maldade, que é o crescimento especulativo, ou seja, sem produção nem transacção de serviços ou mercadorias. Isto é, põe o dinheiro a fazer dinheiro, seja através do juro dos bancos (em que os bancos emprestam dinheiro que não existe e cobram juros sobre ele), seja através da valorização de produtos financeiros nas bolsas, seja através das acções de empresas. O dinheiro cresce a olhos vistos nas mãos de alguns mas não cresce na Economia real, isto é, cresce um número no computador duma conta bancária qualquer, mas não há mais dinheiro a circular por isso, e os que vivem só desse dinheiro que circula vão ficando mais pobres.
Este é o grande problema que a Esquerda tem que enfrentar. Aquilo que oferece passa necessariamente pela palavra decrescimento, e graças à cultura formada por décadas e décadas de Capitalismo Selvagem a maior parte das pessoas tem medo dessa palavra. Decrescimento significa, no entanto, mais riqueza para todos, mais vida, mais Amor, porque significa também que o Homem deixa de servir a Economia e a Economia é que passa a servir o Homem.
ver site degrowth