segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

a água amarela do Bairro Amarelo

Bairro de Santiago - rua que divide os edifícios mais antigos, à esquerda, e os mais recentes, à direita

O Bairro de Santiago, também conhecido por Bairro Amarelo devido à cor principal dos seus edifícios, é um complexo de habitação social que cresceu a partir dos anos 80 na malha urbana da cidade de Aveiro. A sua construção numa zona nobre da cidade tem sido um obstáculo à "guetização" dos estratos sociais mais pobres, como acontece na grande maioria dos bairros sociais da Europa.
O problema é que a localização não é suficiente para garantir uma qualidade de vida digna aos seus moradores, e desde a sua construção que nunca houve, por parte da Câmara Municipal de Aveiro, uma intervenção de fundo na manutenção das casas. Mesmo nos arruamentos apenas tem existido os típicos rolos de alcatrão em épocas de eleições.
No dia 23 de Fevereiro, pela bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Aveiro, denunciei a péssima qualidade da água que chega às torneiras das casas daquele bairro. A vereadora Maria da Luz respondeu-me então que tinha conhecimento do problema e que a Câmara já tinha aberto um concurso público no valor de 150 000 euros para renovar a canalização do Bairro. Nesse mesmo dia garanti-lhe que o Bloco de Esquerda ia estar atento a esse concurso público e ao início dos trabalhos.
Na Assembleia Municipal de 21 de Dezembro passado, ou seja, quase um ano depois, e após várias perguntas durante todo o ano que nunca tiveram resposta ou tiveram respostas inadequadas, a mesma vereadora afirmou que não está em condições de realizar as referidas obras por falta de dinheiro. Quer isto dizer que, pelo que diz respeito à Câmara, os moradores vão continuar a ter água amarela a sair das suas torneiras.
Num visita informal que fiz esta semana àquele bairro, constatei a cor de chá da água. Foi-me mesmo dito por alguns moradores que a mesma não serve para cozinhar e nem sequer tem qualidade para garantir a higiene diária das famílias. Aqueles que podem estão a "comprar água engarrafada para cozinhar, lavar os dentes e dar banho às crianças".
Pela sua génese, são bairros como o de Santiago os mais afectados pela actual crise económica, ou seja, pelo desemprego e pelo trabalho mal pago e precário. É por isso também que a política social da Câmara não os pode esquecer. A Câmara Municipal de Aveiro é pródiga em aprovar diplomas com carácter de urgência, mas quando a urgência é social e das classes mais desfavorecidas, esquece-se completamente de o fazer.
É urgente uma intervenção de fundo nas casas do Bairro de Santiago, a começar pela canalização e a acabar nos arruamentos. O Bloco de Esquerda não se vai esquecer disso.

plano de pormenor da canalização exterior

remendo num cano interior (são às centenas os remendos e as zonas onde a água pinga)

aspecto amarelado da água numa das casas

buracos numa das ruas

degradação exterior dos edifícios

degradação exterior dos edifícios

degradação da calçada