sábado, 19 de novembro de 2011

não há problema com a fome, desde que as galinhas sejam bem tratadas



Surpresa! A Mc Donalds pensava que todos os ovos usandos nos seus Mc Muffins vinham de galinhas muito bem tratadas, a quem profissionais do ramo faziam festinhas e cantavam músicas bonitas antes de lhes tirar os ovos. Afinal enganaram-se e as galinhas eram torturadas por cerca de quatro ou cinco trabalhadores da empresa fornecedora.
A McDonads entrou em estado de choque e está à procura dum novo fornecedor, enquanto esse fornecedor despediu os trabalhadores torturadores de galinhas. Está tudo bem quando acaba bem. A forma como produzimos comida continuará a ser a mesma, ou seja, produzimos comida apenas para que algumas empresas enriqueçam enquanto uma grande parte da população passa fome, mas pelo menos as galinhas são bem tratadas.
O mundo produz actualmente comida para cerca de doze mil milhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas, apesar de sermos neste momento apenas sete mil milhões no mundo inteiro, mas mesmo assim cerca de mil milhões não tem acesso a comida.
A fome não se deve, portanto, à escassez alimentar nem ao mito da sobrepopulação. Deve-se à forma e ao fim da produção de comida. São empresas como a Mc Donalds e a Sparboe Eggs que controlam praticamente todos os recursos naturais do planeta que permitem produzir comida, só que o fazem com o único objectivo de ganhar dinheiro e não de alimentar a população. É este folclore que faz com que a preocupação se centre na forma como se tratam as galinhas, e não no facto de ser contra natura os recursos naturais estarem nas mãos de um pequeno grupo privilegiado de capitalistas.
A água, as sementes e a terra já cá estavam antes da espécie humana chegar, portanto são de todos. O modelo económico neoliberal, no entanto, discorda. Esses recursos fundamentais para a produção alimentar devem pertencer a alguns e quem quiser comer tem que pagar. Se não pagar, não come. Não há problema, desde que as galinhas sejam bem tratadas.
Talvez faça todo o sentido, portanto, que empresas como a Monsanto Corp recorram à biotecnologia para conseguir o monopólio da venda de sementes a todo o mundo, através de genes que impedem a reprodução natural das plantas. O caminho é a esterilidade dos campos e a obrigatoriedade de compra dessas sementes a cada colheita que se faz, com os respectivos prejuízos ecológicos e sociais.
Talvez faça todo o sentido que investidores estrangeiros (estados estrangeiros, empresas privadas e fundos especulativos) tenham comprado por tuta e meia quase todo o solo arável do corno de África, expulsando deles as populações que tradicionalmente lá viviam e se alimentavam para escravizar essa mão de obra e criar novos mercados de exportação alimentar.
Países que eram autosuficientes passaram a ser países de fome, ao mesmo tempo que o preço dos cereais aumenta todos os anos devido à especulação dos mercados de futuros de Chicago e de várias bolsas europeias como Londres, Amsterdão ou Paris. Mas está tudo bem para quem especula e ganha milhões com esse negócio, desde que as galinhas sejam bem tratadas...

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