PCP, PS, PSD e CDS fizeram ontem uma demonstração em Aveiro de como se pode atropelar a Democracia em nome de um interesse menor, decidindo à porta fechada aquilo que não conseguiram acordar na Assembleia Municipal de Aveiro. De facto, é muito mais fácil assumir um compromisso promíscuo com o futebol profissional de um clube e com os interesses do seu investidor principal quando ninguém está a ver.
Enquanto representante do Bloco de Esquerda na Comissão Permanente recusei-me a fazer parte desse cozinhado que lesa nitidamente os interesses do município de Aveiro para beneficiar uma Sociedade Anónima, dando todas as condições para que o Executivo Camarário ceda gratuitamente o Estádio (um investimento público de mais de 60 milhões de euros) à SAD do Beira-Mar, ficando esta com a parte que dá lucro (publicidade e receitas de jogos) e o município com a parte que dá prejuízo (divide a despesa nos jogos que dão prejuízo e continua com custos de manutenção e, claro, a pagar a dívida ao banco).
Enquanto deputado eleito pelo Bloco tenho um compromisso com os eleitores e nenhum compromisso com o clube Beira-Mar. Para os outros partidos, todos eles, parece que não é bem assim. Aliás, o candidato do PCP à presidência da Assembleia Municipal, António Regala, nunca pôs os pés em nenhuma sessão da mesma por estar ocupado a transformar o clube Beira-Mar na Sociedade Anónima entretanto aprovada. É parte interessada nesta promiscuidade e percebe-se bem, portanto, o voto do seu substituto Salavessa.
Este caso em que, de forma indirecta, se está a prejudicar o município para subsidiar uma empresa e o futebol profissional, é tão grave que dois vereadores da maioria de direita já perderam os seus pelouros por se terem recusado a entrar na negociata. Votaram contra o acordo em reunião de Câmara, depois de ameaçados pelo presidente Élio Maia de que isso teria consequências, e foi-lhes retirada a confiança política. Elogio-lhes a verticalidade e gostava que houvesse mais políticos assim. Mas em Aveiro, pelo menos, parece que não há...
Estamos a falar de um longo percurso que já passou por várias fases. Uma em que o PS na Câmara prometeu pagar 500 mil euros por ano ao Beira-Mar para que este jogasse no Estádio Municipal, como se fosse lógico um senhorio pagar a renda ao inquilino para que este lá habite. Outra em que o presidente Élio Maia vendeu por pouco mais de 1 milhão de euros, pela calada da noite, o terreno das piscinas ao Beira-Mar para que este o vendesse logo a seguir à empresa Nível 2 por mais milhão e meio de euros. Esse terreno, à data, teria um valor de mercado de cerca de 9 milhões de euros. Mais ainda, nessa negociata feita às duas da manhã o presidente Élio Maia meteu o cheque no bolso e "esqueceu-se" dele deixando-o expirar, criando assim uma dívida eterna do clube ao município que nunca mais é paga.
Ontem mesmo, logo a seguir aos partidos do acordo terem fingido que acreditam na liquidação dessa dívida, o comunista António regala dizia à imprensa que acha que o Beira-Mar não deve nada à Câmara. Esclarecidos? Eu também não.
É uma vergonha a promiscuidade entre o futebol e a política em Aveiro. É uma vergonha que em menos duma década, contas feitas ao estádio e às negociatas, o concelho de Aveiro já tenha gastado mais de 70 milhões de euros por causa de futebol. É uma vergonha que todos os partidos joguem às escondidas com os seus eleitores e, a esse propósito, quero fazer uma ressalva sobre a vergonha que é o PCP em Aveiro, porque acredito que a orientação nacional daquele partido é contrária a estas práticas.
O Bloco de Esquerda em Aveiro não cede nem cederá às pressões dos interesses económicos privados em detrimento do interesse público, e considera vergonhoso que num concelho tão marcado socialmente pela pobreza e pelo desemprego, se gaste tanto dinheiro em futebol.
Ver relato do meu camarada de bancada Nelson Peralta
Enquanto representante do Bloco de Esquerda na Comissão Permanente recusei-me a fazer parte desse cozinhado que lesa nitidamente os interesses do município de Aveiro para beneficiar uma Sociedade Anónima, dando todas as condições para que o Executivo Camarário ceda gratuitamente o Estádio (um investimento público de mais de 60 milhões de euros) à SAD do Beira-Mar, ficando esta com a parte que dá lucro (publicidade e receitas de jogos) e o município com a parte que dá prejuízo (divide a despesa nos jogos que dão prejuízo e continua com custos de manutenção e, claro, a pagar a dívida ao banco).
Enquanto deputado eleito pelo Bloco tenho um compromisso com os eleitores e nenhum compromisso com o clube Beira-Mar. Para os outros partidos, todos eles, parece que não é bem assim. Aliás, o candidato do PCP à presidência da Assembleia Municipal, António Regala, nunca pôs os pés em nenhuma sessão da mesma por estar ocupado a transformar o clube Beira-Mar na Sociedade Anónima entretanto aprovada. É parte interessada nesta promiscuidade e percebe-se bem, portanto, o voto do seu substituto Salavessa.
Este caso em que, de forma indirecta, se está a prejudicar o município para subsidiar uma empresa e o futebol profissional, é tão grave que dois vereadores da maioria de direita já perderam os seus pelouros por se terem recusado a entrar na negociata. Votaram contra o acordo em reunião de Câmara, depois de ameaçados pelo presidente Élio Maia de que isso teria consequências, e foi-lhes retirada a confiança política. Elogio-lhes a verticalidade e gostava que houvesse mais políticos assim. Mas em Aveiro, pelo menos, parece que não há...
Estamos a falar de um longo percurso que já passou por várias fases. Uma em que o PS na Câmara prometeu pagar 500 mil euros por ano ao Beira-Mar para que este jogasse no Estádio Municipal, como se fosse lógico um senhorio pagar a renda ao inquilino para que este lá habite. Outra em que o presidente Élio Maia vendeu por pouco mais de 1 milhão de euros, pela calada da noite, o terreno das piscinas ao Beira-Mar para que este o vendesse logo a seguir à empresa Nível 2 por mais milhão e meio de euros. Esse terreno, à data, teria um valor de mercado de cerca de 9 milhões de euros. Mais ainda, nessa negociata feita às duas da manhã o presidente Élio Maia meteu o cheque no bolso e "esqueceu-se" dele deixando-o expirar, criando assim uma dívida eterna do clube ao município que nunca mais é paga.
Ontem mesmo, logo a seguir aos partidos do acordo terem fingido que acreditam na liquidação dessa dívida, o comunista António regala dizia à imprensa que acha que o Beira-Mar não deve nada à Câmara. Esclarecidos? Eu também não.
É uma vergonha a promiscuidade entre o futebol e a política em Aveiro. É uma vergonha que em menos duma década, contas feitas ao estádio e às negociatas, o concelho de Aveiro já tenha gastado mais de 70 milhões de euros por causa de futebol. É uma vergonha que todos os partidos joguem às escondidas com os seus eleitores e, a esse propósito, quero fazer uma ressalva sobre a vergonha que é o PCP em Aveiro, porque acredito que a orientação nacional daquele partido é contrária a estas práticas.
O Bloco de Esquerda em Aveiro não cede nem cederá às pressões dos interesses económicos privados em detrimento do interesse público, e considera vergonhoso que num concelho tão marcado socialmente pela pobreza e pelo desemprego, se gaste tanto dinheiro em futebol.
Ver relato do meu camarada de bancada Nelson Peralta
13 comentários:
...que povo tão pequenino nós somos...
Gerimos o país, como as Câmaras, as juntas e a colectividade do bairro da mesma maneira... favorecendo os amigos, familiares e pedidos destes para terceiros, nunca vendo para alem do nosso umbigo...
Público, neste país significa que pode ser usurpado...
sendyourlove, concordo plenamente. pior... como político confirmo isso regularmente e fico triste. :)
Porque não denuncias isso à comunicação social? Tipo i online; Destak?
A ser verdade, não pretendendo ferir a sua honestidade apenas salvaguardar o direito ao contraditório, trata-se de um verdadeiro caso de policia que não deve passar incólume!
Sou um cidadão português morador no distrito e sinto-me lesado ao tomar conhecimento do caso.
Que diabo, será que só a arraia-miúda é que é condenada no nosso país.
$hort, nas sessões da Assembleia Municipal está comunicação social presente, normalmente local e que é completamente controlada. mas está lá... a ver o que sai amanhã... :)
nuno costa, eu concordo... e embora eu seja apenas um político e não um funcionário do ministério público, garanto-te que tudo faremos em Aveiro para que isso aconteça. :)
Bagaço vim aqui ao mesmo tempo que leio o artigo da Fernanda Cancio no DN e isso são forças de bloqueio! Denuncia aos gratuitos!
short, pois. o Diário de Aveiro diz hoje que eu abandonei as negociações por considerá-las "um arranjinho que protege o clube e prejudica o município". na verdade, eu disse "que protege um investimento privado e prejudica o município". Pormenores... :)
A defesa de um emblema com quase cem anos, um emblema quem é um simbolo de Aveiro, um emblema que ainda hoje faz mais pelos jovens do que todos os politiqueiros da cidade...éum interesse menor?
pedro neves, o contrato de concessão não defende emblema nenhum, defende sim um investidor duma equipa profissional de futebol, mas essa questão nem sequer é para aqui chamada. a questão maior, essa sim, é que se quer prejudicar o erário público por causa duma industria que se chama futebol.
Eu não gosto de futebol.
Abro logo assim o comentário para deixar essa parte esclarecida.
Posto isto, também não gosto de coelho à caçadora e não é por isso que critico quem goste...
Claro que vejo a utilidade pública dos clubes de futebol...
...mas não obstante, são entidades privadas. E com isto está tudo dito.
Também não sou particularmente fã dos partidos políticos que andam por aqui. Não querendo ofender ninguém, muito menos o autor do post, creio que a maioria das pessoas que ocupam cargos políticos não o fazem com o sentido de serviço à comunidade, mas sim como carreira e como oportunidade para estar numa posição onde se podem beneficiar. E isto é transversal a toda a classe politica, da direita à esquerda. Mas isto, claro, é uma opinião pessoal minha.
Não digo com isto que não há políticos sérios...
...claro que há! São é muito difíceis de encontrar no meio dos outros todos...
Dou-me ao trabalho de escrever este comentário simplesmente por ter lido o comentário de Pedro Neves que exalta a defesa do emblema que, nas palavras dele, é um símbolo de Aveiro. Não contesto que o seja, mas os ovos-moles também o são...
Mas, tendo em linha a pergunta que ele faz no fim do comentário, respondo com outra pergunta:
-Os fins justificam sempre os meios?
E outra ainda:
-Desbaratar dinheiro do erário público, com lucro óbvio para empresas privadas, em nome de um suposto emblema é justificado? Esse dinheiro não seria melhor aplicado ao serviço da população em geral?
A promiscuidade entre a politica e o futebol tem levado, neste rectângulo à beira mar plantado, a casos curiosos, como o estádio do Algarve e a venda em hasta publica do estádio do Leiria. E para ser franco, confunde-me este estado de espirito das pessoas que sabem que o que é feito é errado, mas ainda assim desculpam porque "é pró futebole".
Acho que enquanto não se mudar de mentalidades e não se começar a punir os prevericadores, seja neste aspecto, seja em tantos outros, merecemos plenamente o país que temos...
ulisses, obrigado pelo comentário. a utilidade pública dos clubes de futebol não pode ser considerada no futebol profissional, que é apenas um negócio e ainda por cima muito pouco claro. :)
*ar imponente, limpeza da garganta*
A senhora dona Cármen Veloso tem o desgosto de vir aqui a esta entrada deixar-lhe um comentário pouco relacionado com o conteúdo do texto, anunciando-lhe que lhe foi enviado um selo quer para esta esplanada quer para a sua outra mais popular na blogosfera.
Os meus respeitosos cumprimentos,
Uma chavala que por vezes (?) bate mal do sistema.
:p
obrigado senhora dona cármen. hoje, quando me passar a dor de cabeça, ponho o selo na parede. :)
Enviar um comentário