terça-feira, 7 de junho de 2011

e agora, pá?

A derrota, porque é derrota que lhe temos que chamar, do Bloco de Esquerda nas últimas eleições legislativas pode ter muitas explicações. Todas elas serão mais ou menos parte da explicação total. Menos uma: a de que a responsabilidade deve cair sobre uma só pessoa, seja ela Francisco Louçã ou outra qualquer.
É verdade que o Bloco de Esquerda tem tido um debate interno que o fragiliza para o exterior, mas esse exterior é apenas aparência. Quem conhece o partido por dentro sabe que é mesmo disso que ele vive, do combate interno que resulta no partido com os estatutos mais democráticos deste país, seja à direita ou à esquerda. O que é preciso perceber é que o Bloco não é um partido carreirista, e que quando perde uma eleições nenhum aderente do partido pensa: "oh! coitadinho do meu partido". Pensa sim que o país e o mundo estão a andar em direcção ao abismo e é por isso mesmo que o partido vai ser capaz de dar a volta ao resultado destas eleições.
Durante a campanha percebi, e disse-o à maior parte dos meus camaradas, que achava que o Bloco ia perder votos nestas eleições. A razão era simples: todo o debate estava a ser feito dentro da lógica do FMI e não fora dela, criando assim uma imagem de inevitabilidade do que vai ser a política do nosso país nos próximos quatro anos: sofrer para tapar um buraco sem fundo criado pelo Capitalismo especulativo e, diga-se a verdade, também pela corrupção.
Fora dessa lógica estavam os únicos partidos de Esquerda com assento na Assembleia da República: o Bloco de Esquerda e o PCP. O PCP, um partido com uma História de quase um século e solidificado em cerca de noventa mil aderentes, teve 7,94% dos votos. O Bloco, um partido recente com cerca de nove mil aderentes, teve 5,19%. Apesar de tudo é uma derrota que me dá esperança e força para continuar a trabalhar e a lutar.
É que disto tudo há uma verdade inequívoca. Francisco Louçã tem razão quando diz que se aprende mais nas derrotas do que nas vitórias, e nos próximos quatro anos vai ter que ser feita a discussão pública que devia ter sido feita agora e não foi. A da opção pelo FMI e pela insistência num modelo que já se mostrou utópico, ou por uma política de Esquerda.
Aliado a isto há o facto de ter sido o Bloco o partido que mais sofreu com a transferência de votos para os partidos pequenos, particularmente o PAN, o que é lógico porque até à data era o Bloco de Esquerda o único partido a ter uma política direccionada para a causa dos animais. Foi apenas cerca de 1% mas fez toda a diferença. O que acontece é que o PAN é um partido assumidamente de Direita, que vê a política social como uma acção misericordiosa e que defende a Economia de Mercado, precisamente o contrário do que os animais precisam e, já agora, as pessoas. Com o tempo, grande parte da sua massa crítica cairá por terra...

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