quarta-feira, 30 de março de 2011

de peito aberto

A Assembleia da República é composta por 230 deputados eleitos por sufrágio universal dos cidadãos. É com esse 230 deputados e com o Governo que ali se discutem, fazem e aprovam as leis da República.
Gil Garcia, da corrente Ruptura/FER, inserida no BE, acha que Bloco de Esquerda e PCP se deviam entender quanto a uma coligação para tentar formar governo, e nessa sua ânsia de convergência à esquerda, anuncia que se ela não acontecer durante a próxima Convenção nacional do Bloco, ele sai e forma um partido novo. Estranha forma de convergência, digo eu, tanto mais quando se lidera um movimento que se chama Ruptura e que tudo faz menos reunir consensos à Esquerda.
Mas a propósito de consensos à Esquerda, há uma coisa que eu tenho a certeza: Bloco e PCP não se devem coligar neste momento por causa daquilo que os distingue (funcionamento, estatutos revisionismo/ortodoxia, etc), mas se os cidadãos portugueses decidirem dar a ambos os partidos 115 deputados, aquilo que os une será mais forte que isso que os distingue, e as leis aprovadas serão sempre a favor de quem trabalha e não de quem é proprietário/especulador. Basta que ambos, coligados ou não, votem de igual forma. Aí, que não restem dúvidas.
Devo dizer que, apesar de tudo, não estando minimamente de acordo com o conteúdo do que diz Gil Garcia, esta sua posição de peito aberto tem que ser discutida, e o motivo pelo qual sou aderente do Bloco e não de outro partido qualquer é mesmo esse: tudo pode e deve ser discutido assim, de peito aberto. E se o camarada Gil Garcia quiser sair deste projecto político pelo seu próprio pé, que saia. Expulso é que não será.
É assim que a Esquerda tem que estar na discussão política. De peito aberto.

sábado, 26 de março de 2011

a única saída possível para a crise!

Perante a chantagem de José Sócrates se demitir caso o seu PEC IV não passasse na votação da Assembleia da República, nenhum dos partidos da oposição cedeu e o primeiro-ministro foi mesmo obrigado a demitir-se. Portugal encontra-se agora mergulhado em duas crises: uma económica e outra política. A questão é que a crise económica é real e a crise política pode transformar-se numa oportunidade. A oportunidade de mudar o que está mal.
Com efeito, os partidos da Esquerda e da Direita parlamentar 'obrigaram' o PS a cair do Governo em conjunto mas com intenções diferentes. A Direita quer exactamente o mesmo plano de austeridade mas sendo ela própria a implementá-lo, e a Esquerda quer pôr fim já à austeridade para pôr em marcha um plano de desenvolvimento económico rápido, justo e eficiente.
É que a austeridade não é a única saída para a crise económica. Aliás, nem se sequer é uma saída para qualquer que seja a crise, e se houve algum mérito nos sucessivos PECs do Governo PS foi esse mesmo: demonstrar que a austeridade só empobrece. Ao primeiro PEC sucedeu-se outro, depois, outro, depois outro... e nunca mais sairíamos disto enquanto o Governo não caísse.
Ainda esta semana Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, dizia isso mesmo na sua coluna do The New York Times*, citando exactamente o erro do Governo de José Sócrates, ou seja, é um erro reduzir a despesa pública quando há desemprego elevado porque isso afunila ainda mais a Economia criando uma bola de neve imparável. É óbvio. Tão óbvio que, tirando a direita parlamentar (PS, PSD e CDS), todos perceberam isso.
Posto isto, é legítimo perguntarmos porque é que essa direita insiste em percorrer o caminho do empobrecimento do país, em vez da sua recuperação económica. A resposta também me parece óbvia. Essa direita, como se viu bem nas visitas de Passos Coelho a Bruxelas e de José Sócrates à Alemanha, é a direita que representa os interesses instalados da burguesia europeia (leia-se principalmente bancos alemães), e a dívida externa portuguesa é essencialmente aos bancos privados alemães. Ora, com o afunilamento da Economia portuguesa, a dívida não pára de aumentar gerando todos os dias mais lucros  para esses bancos, e nem sequer há o perigo de um dia não a podermos pagar. É que o Banco Central Europeu, que apesar de ser público e gerir um Orçamento com base nos impostos dos trabalhadores europeus, nunca compra dívida de um Estado para aliviar a taxa de juro com que este pede empréstimos. Antes pelo contrário, empresta dinheiro barato (1%) aos bancos privados, para que depois estes o emprestem sete ou oito vezes mais caro aos Estados. Se o Estado falhar o pagamento, aí o BCE já compra a dívida, mas apenas no mercado secundário, ou seja, os títulos de dívida que esses bancos possuem.
Podemos também questionar se políticos de direita eleitos pela população andam, de facto, a favorecer bancos e a prejudicar quem os elegeu propositadamente. A resposta é só uma: Sim. E aí já perdemos a conta ao dinheiro que o Governo do PS enterrou em bancos, contribuindo assim decididamente para o crescimento da crise portuguesa. Só da primeira vez foram 2,2 mil milhões de euros no BPN e 450 milhões no BPP, e a isto ainda podemos somar a descapitalização do Estado com as privatizações da Galp, da saúde, educação, água. Tudo numa lógica de um Mercado Capitalista que já estava a abrir brechas.
Agora, para provar que isto tudo é assim mesmo, temos o exemplo da Islândia, um país cujo crescimento Económico era essencialmente especulativo e que, por isso, se afundou mais depressa do que todos os outros. No entanto, hoje em dia já ninguém fala de crise naquele país. Recusou-se a salvar bancos e hoje está mesmo a tentar criminalizar na Justiça os políticos que o fizeram, mudaram de Governo e de modelo económico (para a Esquerda), recusaram a austeridade e agora são um exemplo. Um exemplo de que a Direita Europeia não quer que se fale muito, mas isso é outra história. É só há uma saída para a crise: votar à Esquerda. 


sexta-feira, 25 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

amanhã o planeta continuará a girar

Às vezes as manhãs são um alívio. Quem ontem se deitou a pensar num governo demissionário, hoje acordou com os raios de Sol a bater nos vidros da janela, o que quer dizer que o planeta continua a girar sobre si mesmo e também em torno da sua estrela. A boa notícia é essa: não temos que ter medo, porque a ordem natural das coisas ninguém pode alterar.
Aproveitemos portanto para alterar aquilo que é alterável e que nos tem prejudicado a todos, e que são as regras do sistema económico capitalista, aquelas que permitem que a classe trabalhadora seja legalmente roubada todos os dias. E entenda-se por classe trabalhadora não apenas os que trabalham mas sim aqueles que dependem do trabalho para sobreviver. Trabalhadores, desempregados, estudantes e precários, enfim, todos os que não têm propriedade excessiva nem especulam na alta finança.
Foi esse roubo constante que nos pôs a todos na crise, esse roubo que faz com que a propriedade seja milhares de vezes mais rentável que o trabalho e que permite que quem nada faz, a não ser especular, seja dono de quem trabalha através de políticos que o dão de barato.
A primeira crise é essa, a das regras que têm que mudar para que não haja mais crises. Os partidos da maioria de sempre em Portugal, PS e PSD, que defendem uma economia liberal, socorreram-se dos nossos impostos para salvar bancos que andaram anos a ganhar milhões à nossa custa, e cujo lucro desapareceu de um dia para o outro. Afinal a Economia Liberal e o Capitalismo não funcionam, a não ser com a intervenção do paizinho Estado para os salvar das suas próprias asneiras.
Não tenhamos medo que o Estado intervenha com esses milhões na Economia, mas sim para gerar emprego, criar riqueza que é de todos, evitar os desperdícios do Capitalismo e garantir os serviços e bens essenciais a toda a população. Votem à Esquerda. Não tenham medo. Amanhã o planeta continuará a girar.

sábado, 19 de março de 2011

sempre o ps...

Qual é o partido português que tem um deputado que foi bêbado para sessão de discussão da moção de censura ao Governo em Março de 2011?
O PS, e o deputado em causa foi Sérgio Sousa Pinto, escolhido precisamente para defender o Governo nessa moção.

Qual é o partido português que tem um deputado que roubou os gravadores aos jornalistas da Sábado, quando o entrevistavam sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia?
É o PS, e o deputado em causa foi Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar daquele partido.

Qual é o partido que tem um líder suspeito de ter acabado o curso com trafulhice, suspeito de corrupção no caso Freeport e suspeito de ter assinado vários projectos de construção que não lhe pertenciam?
É o PS, e o líder em causa é José Sócrates, actual primeiro-ministro português.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"O senhor é corajoso para tirar 300 milhões aos reformados mas já deu 151 milhões à Mota Engil e ao Banco Espírito Santo. O senhor não olha a meios para atingir os fins" 

Francisco Louçã a José Sócrates hoje, 18 de Março, na AR, mais uma vez sem resposta...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cavaco Silva como Rambo

Do discurso de Cavaco Silva na justa na Cerimónia de Homenagem aos Combatentes, por ocasião do 50º Aniversário do início da Guerra em África, escusamos de perguntar onde estava ele antes do 25 de Abril, ou seja, antes do fim da Guerra. Todos sabemos a resposta. Esta em Portugal e era bufo da PIDE, ou seja, um apoiante silencioso do Regime que mantinha a Guerra fora e dentro de portas.
Passe a ironia, o maior elogio que se pode fazer ao actual Presidente da República Portuguesa é que tem um discurso honesto, tão transparente quanto igual a ele próprio. Resta saber se o é assim propositadamente, ou porque não consegue mais.
É que do discurso realça a sua vontade de fazer um filme do estilo do Rambo, em que um herói português regressa secretamente às ex-colónias portuguesas para salvar os prisioneiros que,mais de trinta anos depois, continuam detidos em campos escondidos no meio do mato. Para ele, os soldados portugueses dispuseram-se "a perder as suas vidas pela Pátria" e saúda ainda "os militares de etnia africana que, de forma valorosa, lutaram ao nosso lado. Todos, combatentes por Portugal!".
Cavaco Silva é presidente de um país que condenou o regime de que ele próprio parece saudosista, e condenou também a guerra colonial onde, por motivos históricos, se deveria saudar a justa luta dos povos pela sua autodeterminação e homenagear os soldados que sofreram em África, porque eram obrigados a fazê-lo e não porque se voluntariavam para o fazer. Faz toda a diferença.
Talvez por isso, por fazer toda diferença, enquanto primeiro-ministro Cavaco Silva não mexeu uma palha para compensar as feridas de guerra como o stress pós-traumático ou as deficiências físicas que impediam, e ainda hoje impedem milhares de ex-combatentes de terem uma vida normal.
Do discurso, ou melhor, do filme de Cavaco, falta por isso o essencial. O reconhecimento de que os soldados de ambos os lados foram vítimas, e que talvez por isso eles próprios tenham contribuído de forma decisiva para acabar com a guerra e com o regime.

terça-feira, 15 de março de 2011

duas Esquerdas...

O PCP lançou uma campanha contra o papel dos deputados do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, a propósito da resolução sobre a situação actual da Líbia, em que se incluía a propalada "zona de exclusão aérea".
Na minha opinião, há uma diferença entre a esquerda que se contenta com a derrota desde que chegue virgem à idade adulta, e essa é a Esquerda do PCP, aquela que apoia os que são ditadores em nome do Socialismo, não percebendo que o caminho do Socialismo tem que ser pela Democracia e não pela Ditadura. Kadafi é um desses ditadores, apoiado historicamente por Cuba, Coreia do Norte e, sejamos sinceros, pela Europa que lhe vende o armamento.
Mas há outra Esquerda, e a outra Esquerda é aquela que busca o compromisso em nome de um mundo melhor, não apenas daqui a quinhentos anos mas já hoje e o mais possível. É que hoje, meus amigos, o mundo sufoca por mudança.
A esse propósito, e para os interessados, proponho a resposta dos deputados Miguel Portas e da Marisa Matias: http://esquerda.net/opiniao/resposta-infame-campanha