segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

a água amarela do Bairro Amarelo

Bairro de Santiago - rua que divide os edifícios mais antigos, à esquerda, e os mais recentes, à direita

O Bairro de Santiago, também conhecido por Bairro Amarelo devido à cor principal dos seus edifícios, é um complexo de habitação social que cresceu a partir dos anos 80 na malha urbana da cidade de Aveiro. A sua construção numa zona nobre da cidade tem sido um obstáculo à "guetização" dos estratos sociais mais pobres, como acontece na grande maioria dos bairros sociais da Europa.
O problema é que a localização não é suficiente para garantir uma qualidade de vida digna aos seus moradores, e desde a sua construção que nunca houve, por parte da Câmara Municipal de Aveiro, uma intervenção de fundo na manutenção das casas. Mesmo nos arruamentos apenas tem existido os típicos rolos de alcatrão em épocas de eleições.
No dia 23 de Fevereiro, pela bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Aveiro, denunciei a péssima qualidade da água que chega às torneiras das casas daquele bairro. A vereadora Maria da Luz respondeu-me então que tinha conhecimento do problema e que a Câmara já tinha aberto um concurso público no valor de 150 000 euros para renovar a canalização do Bairro. Nesse mesmo dia garanti-lhe que o Bloco de Esquerda ia estar atento a esse concurso público e ao início dos trabalhos.
Na Assembleia Municipal de 21 de Dezembro passado, ou seja, quase um ano depois, e após várias perguntas durante todo o ano que nunca tiveram resposta ou tiveram respostas inadequadas, a mesma vereadora afirmou que não está em condições de realizar as referidas obras por falta de dinheiro. Quer isto dizer que, pelo que diz respeito à Câmara, os moradores vão continuar a ter água amarela a sair das suas torneiras.
Num visita informal que fiz esta semana àquele bairro, constatei a cor de chá da água. Foi-me mesmo dito por alguns moradores que a mesma não serve para cozinhar e nem sequer tem qualidade para garantir a higiene diária das famílias. Aqueles que podem estão a "comprar água engarrafada para cozinhar, lavar os dentes e dar banho às crianças".
Pela sua génese, são bairros como o de Santiago os mais afectados pela actual crise económica, ou seja, pelo desemprego e pelo trabalho mal pago e precário. É por isso também que a política social da Câmara não os pode esquecer. A Câmara Municipal de Aveiro é pródiga em aprovar diplomas com carácter de urgência, mas quando a urgência é social e das classes mais desfavorecidas, esquece-se completamente de o fazer.
É urgente uma intervenção de fundo nas casas do Bairro de Santiago, a começar pela canalização e a acabar nos arruamentos. O Bloco de Esquerda não se vai esquecer disso.

plano de pormenor da canalização exterior

remendo num cano interior (são às centenas os remendos e as zonas onde a água pinga)

aspecto amarelado da água numa das casas

buracos numa das ruas

degradação exterior dos edifícios

degradação exterior dos edifícios

degradação da calçada


terça-feira, 29 de novembro de 2011

a polícia como elemento de repressão política



A Polícia de Segurança Pública infiltrou agentes nas manifestações da Greve Geral do dia 24 de Novembro, agentes esses que espancaram alguns dos cidadãos presentes nas mesmas. Podemos falar da arrogância e acefalia de alguns agentes da autoridade que vão para a polícia por isso mesmo, porque o que lhes falta em inteligência sobra-lhes em violência. Podemos dizer que chamar-lhes agentes da autoridade é até uma ofensa aos seus colegas que dão o melhor todos os dias para que a instituição PSP cumpra as sua competências orgânicas. Do que devemos mesmo falar, no entanto, é da instituição.
Na página oficial da Polícia de Segurança Pública podemos ler que a mesma "tem por missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei". Ora, sabemos que na Constituição "a soberania do país reside, una e indivisível, reside no povo" (artº 3) e que a mesma prevê no seu artº 21 o direito de resistência de cada um dos cidadãos.

Artigo 21.º
Direito de resistência
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

A manifestação política, a greve e os piquetes de greve, a liberdade de expressão e o bem estar económico e social são elementos fundamentais dos nossos direitos, liberdades e garantias, pelo que ao infiltrar agentes numa manifestação como a do passado dia 24 de Novembro, a PSP está a impossibilitar gravemente, enquanto força da autoridade pública, que a Constituição se cumpra.
Com estes factos, o papel da PSP aproxima-se do que foi o da PIDE antes do 25 de Abril (passe a comparação ainda perigosa nos dias que correm), ou seja, passa a ser um papel de opressão política e não de garantir a liberdade de todos os cidadãos.

O Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, apressou-se a lavar a violência policial com a mesma cara de pau de Guedes da Silva, director da PSP, com uma diferença abismal entre os dois. O primeiro é ministro e por isso fá-lo para obter dividendos políticos, o segundo é apenas um gajo que vê demasiados filmes e obedece ao Governo metendo o rabinho entre as pernas. Os vídeos e as fotografias, no entanto, estão ai para desmenti-los.

agente infiltrado da psp presente responsável pelo espancamento no vídeo acima (do blog 5 dias)

agente infiltrado da psp presente responsável pelo espancamento no vídeo acima (do blog 5 dias)

dois agentes infiltrados na manifestação a algemar dois cidadãos (do blog 5 dias)

sábado, 19 de novembro de 2011

não há problema com a fome, desde que as galinhas sejam bem tratadas



Surpresa! A Mc Donalds pensava que todos os ovos usandos nos seus Mc Muffins vinham de galinhas muito bem tratadas, a quem profissionais do ramo faziam festinhas e cantavam músicas bonitas antes de lhes tirar os ovos. Afinal enganaram-se e as galinhas eram torturadas por cerca de quatro ou cinco trabalhadores da empresa fornecedora.
A McDonads entrou em estado de choque e está à procura dum novo fornecedor, enquanto esse fornecedor despediu os trabalhadores torturadores de galinhas. Está tudo bem quando acaba bem. A forma como produzimos comida continuará a ser a mesma, ou seja, produzimos comida apenas para que algumas empresas enriqueçam enquanto uma grande parte da população passa fome, mas pelo menos as galinhas são bem tratadas.
O mundo produz actualmente comida para cerca de doze mil milhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas, apesar de sermos neste momento apenas sete mil milhões no mundo inteiro, mas mesmo assim cerca de mil milhões não tem acesso a comida.
A fome não se deve, portanto, à escassez alimentar nem ao mito da sobrepopulação. Deve-se à forma e ao fim da produção de comida. São empresas como a Mc Donalds e a Sparboe Eggs que controlam praticamente todos os recursos naturais do planeta que permitem produzir comida, só que o fazem com o único objectivo de ganhar dinheiro e não de alimentar a população. É este folclore que faz com que a preocupação se centre na forma como se tratam as galinhas, e não no facto de ser contra natura os recursos naturais estarem nas mãos de um pequeno grupo privilegiado de capitalistas.
A água, as sementes e a terra já cá estavam antes da espécie humana chegar, portanto são de todos. O modelo económico neoliberal, no entanto, discorda. Esses recursos fundamentais para a produção alimentar devem pertencer a alguns e quem quiser comer tem que pagar. Se não pagar, não come. Não há problema, desde que as galinhas sejam bem tratadas.
Talvez faça todo o sentido, portanto, que empresas como a Monsanto Corp recorram à biotecnologia para conseguir o monopólio da venda de sementes a todo o mundo, através de genes que impedem a reprodução natural das plantas. O caminho é a esterilidade dos campos e a obrigatoriedade de compra dessas sementes a cada colheita que se faz, com os respectivos prejuízos ecológicos e sociais.
Talvez faça todo o sentido que investidores estrangeiros (estados estrangeiros, empresas privadas e fundos especulativos) tenham comprado por tuta e meia quase todo o solo arável do corno de África, expulsando deles as populações que tradicionalmente lá viviam e se alimentavam para escravizar essa mão de obra e criar novos mercados de exportação alimentar.
Países que eram autosuficientes passaram a ser países de fome, ao mesmo tempo que o preço dos cereais aumenta todos os anos devido à especulação dos mercados de futuros de Chicago e de várias bolsas europeias como Londres, Amsterdão ou Paris. Mas está tudo bem para quem especula e ganha milhões com esse negócio, desde que as galinhas sejam bem tratadas...

domingo, 11 de setembro de 2011

best blog

Tudo aqui sobre o selo que a Cármen me deu.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

promiscuidade entre política (PCP, PS, PSD, CDS) e futebol

PCP, PS, PSD e CDS fizeram ontem uma demonstração em Aveiro de como se pode atropelar a Democracia em nome de um interesse menor, decidindo à porta fechada aquilo que não conseguiram acordar na Assembleia Municipal de Aveiro. De facto, é muito mais fácil assumir um compromisso promíscuo com o futebol profissional de um clube e com os interesses do seu investidor principal quando ninguém está a ver.
Enquanto representante do Bloco de Esquerda na Comissão Permanente recusei-me a fazer parte desse cozinhado que lesa nitidamente os interesses do município de Aveiro para beneficiar uma Sociedade Anónima, dando todas as condições para que o Executivo Camarário ceda gratuitamente o Estádio (um investimento público de mais de 60 milhões de euros) à SAD do Beira-Mar, ficando esta com a parte que dá lucro (publicidade e receitas de jogos) e o município com a parte que dá prejuízo (divide a despesa nos jogos que dão prejuízo e continua com custos de manutenção e, claro, a pagar a dívida ao banco).
Enquanto deputado eleito pelo Bloco tenho um compromisso com os eleitores e nenhum compromisso com o clube Beira-Mar. Para os outros partidos, todos eles, parece que não é bem assim. Aliás, o candidato do PCP à presidência da Assembleia Municipal, António Regala, nunca pôs os pés em nenhuma sessão da mesma por estar ocupado a transformar o clube Beira-Mar na Sociedade Anónima entretanto aprovada. É parte interessada nesta promiscuidade e percebe-se bem, portanto, o voto do seu substituto Salavessa.
Este caso em que, de forma indirecta, se está a prejudicar o município para subsidiar uma empresa e o futebol profissional, é tão grave que dois vereadores da maioria de direita já perderam os seus pelouros por se terem recusado a entrar na negociata. Votaram contra o acordo em reunião de Câmara, depois de ameaçados pelo presidente Élio Maia de que isso teria consequências, e foi-lhes retirada a confiança política. Elogio-lhes a verticalidade e gostava que houvesse mais políticos assim. Mas em Aveiro, pelo menos, parece que não há...
Estamos a falar de um longo percurso que já passou por várias fases. Uma em que o PS na Câmara prometeu pagar 500 mil euros por ano ao Beira-Mar para que este jogasse no Estádio Municipal, como se fosse lógico um senhorio pagar a renda ao inquilino para que este lá habite. Outra em que o presidente Élio Maia vendeu por pouco mais de 1 milhão de euros, pela calada da noite, o terreno das piscinas ao Beira-Mar para que este o vendesse logo a seguir à empresa Nível 2 por mais milhão e meio de euros. Esse terreno, à data, teria um valor de mercado de cerca de 9 milhões de euros. Mais ainda, nessa negociata feita às duas da manhã o presidente Élio Maia meteu o cheque no bolso e "esqueceu-se" dele deixando-o expirar, criando assim uma dívida eterna do clube ao município que nunca mais é paga.
Ontem mesmo, logo a seguir aos partidos do acordo terem fingido que acreditam na liquidação dessa dívida, o comunista António regala dizia à imprensa que acha que o Beira-Mar não deve nada à Câmara. Esclarecidos? Eu também não.
É uma vergonha a promiscuidade entre o futebol e a política em Aveiro. É uma vergonha que em menos duma década, contas feitas ao estádio e às negociatas, o concelho de Aveiro já tenha gastado mais de 70 milhões de euros por causa de futebol. É uma vergonha que todos os partidos joguem às escondidas com os seus eleitores e, a esse propósito, quero fazer uma ressalva sobre a vergonha que é o PCP em Aveiro, porque acredito que a orientação nacional daquele partido é contrária a estas práticas.
O Bloco de Esquerda em Aveiro não cede nem cederá às pressões dos interesses económicos privados em detrimento do interesse público, e considera vergonhoso que num concelho tão marcado socialmente pela pobreza e pelo desemprego, se gaste tanto dinheiro em futebol.

Ver relato do meu camarada de bancada Nelson Peralta

terça-feira, 28 de junho de 2011

eu é que sou o presidente da junta

Rui Tavares, o terceiro eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda na últimas eleições europeias, desvinculou-se do GUE/NGL (e portanto do Bloco) para se juntar aos Verdes Europeus após, segundo o próprio, uma quebra de lealdade política e pessoal de Francisco Louçã.
O primeiro erro do Rui é colocar uma questão pessoal (que é uma questão do género "eu é que sou o presidente da junta") à frente da confiança que os eleitores depositaram nele (o programa político dos Verdes é diferente qb do GUE/NGL), a segunda é dar passos em falso rumo ao que ele erradamente chama de independência.
Ser independente não é votar, contrariamente aos seus colegas de bancada,  a favor da intervenção da NATO num país soberano; ser independente não é mudar de orientação política de um dia para o outro; ser independente não é considerar que os votos, ou pelo menos uma percentagem deles, lhe pertencem a ele e não a um programa político. Ser independente é contribuir para esse programa com a visão da sociedade civil, sem os vícios e hábitos que os partidos, todos eles, acabam por ganhar.
Não conheço o Rui pessoalmente, por isso não me sinto no direito de lhe chamar oportunista, mas votei no partido pelo qual foi eleito, e por isso tenho o direito de lhe dizer que se ele não quer estar nesse partido, então deve demitir-se e dar lugar a outro. É só isso. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

salários em atraso na Vinocor e na Subercor

O deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, recentemente reeleito pelo círculo eleitoral de Aveiro interveio hoje junto do Presidente da Assembleia da República para mostrar a sua preocupação com os salários em atraso em duas unidades de produção do distrito: a Vinocor e a Subercor, ambas pertencentes ao Grupo Suberus.
O Grupo Suberus entrou em falência no ano de 2009, sendo realizadas depois operações de insolvência das duas empresas para a qual foram nomeados novos gestores. No entanto, estes novos gestores tornaram-se incontactáveis e os trabalhadores continuaram e continuam com os salários em atraso, existindo vários indícios de que as empresas estão propositadamente a ser descapitalizadas, nomeadamente através da saída do produto sem facturação.
Em primeiro lugar, este é mais um caso de urgência social, em que o Estado pode e deve apoiar todos os trabalhadores, compensando-os pela forma abusiva como têm sido tratados. Mas é também a demonstração inequívoca de que é um erro considerar que trabalhador e empregador estão em condições idênticas para negociar um contrato de trabalho.
Ver mais no portal do Bloco-Aveiro aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

e agora, pá?

A derrota, porque é derrota que lhe temos que chamar, do Bloco de Esquerda nas últimas eleições legislativas pode ter muitas explicações. Todas elas serão mais ou menos parte da explicação total. Menos uma: a de que a responsabilidade deve cair sobre uma só pessoa, seja ela Francisco Louçã ou outra qualquer.
É verdade que o Bloco de Esquerda tem tido um debate interno que o fragiliza para o exterior, mas esse exterior é apenas aparência. Quem conhece o partido por dentro sabe que é mesmo disso que ele vive, do combate interno que resulta no partido com os estatutos mais democráticos deste país, seja à direita ou à esquerda. O que é preciso perceber é que o Bloco não é um partido carreirista, e que quando perde uma eleições nenhum aderente do partido pensa: "oh! coitadinho do meu partido". Pensa sim que o país e o mundo estão a andar em direcção ao abismo e é por isso mesmo que o partido vai ser capaz de dar a volta ao resultado destas eleições.
Durante a campanha percebi, e disse-o à maior parte dos meus camaradas, que achava que o Bloco ia perder votos nestas eleições. A razão era simples: todo o debate estava a ser feito dentro da lógica do FMI e não fora dela, criando assim uma imagem de inevitabilidade do que vai ser a política do nosso país nos próximos quatro anos: sofrer para tapar um buraco sem fundo criado pelo Capitalismo especulativo e, diga-se a verdade, também pela corrupção.
Fora dessa lógica estavam os únicos partidos de Esquerda com assento na Assembleia da República: o Bloco de Esquerda e o PCP. O PCP, um partido com uma História de quase um século e solidificado em cerca de noventa mil aderentes, teve 7,94% dos votos. O Bloco, um partido recente com cerca de nove mil aderentes, teve 5,19%. Apesar de tudo é uma derrota que me dá esperança e força para continuar a trabalhar e a lutar.
É que disto tudo há uma verdade inequívoca. Francisco Louçã tem razão quando diz que se aprende mais nas derrotas do que nas vitórias, e nos próximos quatro anos vai ter que ser feita a discussão pública que devia ter sido feita agora e não foi. A da opção pelo FMI e pela insistência num modelo que já se mostrou utópico, ou por uma política de Esquerda.
Aliado a isto há o facto de ter sido o Bloco o partido que mais sofreu com a transferência de votos para os partidos pequenos, particularmente o PAN, o que é lógico porque até à data era o Bloco de Esquerda o único partido a ter uma política direccionada para a causa dos animais. Foi apenas cerca de 1% mas fez toda a diferença. O que acontece é que o PAN é um partido assumidamente de Direita, que vê a política social como uma acção misericordiosa e que defende a Economia de Mercado, precisamente o contrário do que os animais precisam e, já agora, as pessoas. Com o tempo, grande parte da sua massa crítica cairá por terra...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 17)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Controlo e transparência nos preços dos combustíveis

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 16)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Poupar nos arrendamentos do Estado

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 15)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Cultura

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 14)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Justiça que combata o crime

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 13)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Eficiência Energética

quinta-feira, 26 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 12)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Protecção contra claúsulas bancárias abusivas

sábado, 21 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 11)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Combate ao insucesso escolar

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 10)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Contrato pelo Emprego

terça-feira, 17 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 9)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Taxar as transferências para offshores

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 8)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Combater a corrupção

sexta-feira, 13 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 7)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Salvar o Serviço Nacional de Saúde

quarta-feira, 11 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 6)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Cativação das mais-valias urbanísticas

terça-feira, 10 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 5)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Renegociar as Parcerias

cinco verdades sobre o FMI e Portugal

1] O Bloco De Esquerda fez uma moção de Censura ao Governo pelo único motivo que justifica uma moção de censura: o governo PS não estava a respeitar o seu próprio programa eleitoral, ou seja, não estava a fazer aquilo para que tinha sido eleito e com isso a situação económica portuguesa estava a afundar-se.

2] PS, PSD e CDS acusaram o Bloco de querer dissolver o Governo numa altura crítica para o país e votaram contra a moção, mas uma semana depois foram eles próprios (PSD e CDS) a deixar cair o governo quando votaram contra o PEC IV na Assembleia da República. Afinal, ao contrário do que diziam, o Governo podia cair.

3] Depois de votarem contra o PEC IV, CDS e PSD foram os primeiros a reunirem-se com o FMI e a comprometerem-se com um programa em tudo igual. Esses dois partidos, em conjunto com o PS, têm agora todos o mesmo programa eleitoral: o do FMI.

4] O programa eleitoral do FMI em Portugal é em tudo semelhante ao que se aplicou na Grécia e na Irlanda, com resultados desastrosos para as populações e para a própria Economia dos Estados. O FMI só interessa à Banca, não interessa a mais ninguém. A única forma de o travar é votar contra os partidos que estão reféns dessa Banca.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 4)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Agricultura Contra o Endividamento

quinta-feira, 5 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 3)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Refundação da Segurança Social

quarta-feira, 4 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 2)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Três programas para criar emprego

terça-feira, 3 de maio de 2011

propostas para a alternativa à austeridade (proposta 1)

20 dias, 20 propostas do Bloco de Esquerda para contornar a austeridade e o FMI
Reforma da Tributação sobre a propriedade

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril

O 25 de Abril em Portugal coincidiu no tempo com outro golpe de Estado: o do Chile (1973), aquele em que os Americanos "mataram" um presidente democraticamente eleito, o Salvador Allende, para colocar no seu lugar um ditador sangrento, o Augusto Pinochet.

Com Augusto Pinochet, o Chile foi o primeiro país do mundo a adoptar o modelo económico da Escola de Chicago, liderada então pelo pai do capitalismo neoliberal, Milton Friedman. Friedman considerava que uma Economia sem qualquer regulamentação do Estado se regulava a ela mesma mantendo um equilíbrio natural. Falhou a experiência, e as privatizações que se fizeram no Chile (segurança social, recursos naturais, saúde, etc) rapidamente tiveram como consequência a fome. Para controlar a oposição Pinochet usou a tortura e a morte.

O modelo falhou, mas mesmo assim Friedman ganhou um prémio Nobel e o modelo foi exportado para todo o mundo Democrático, onde os partidos do poder foram aplicando as mesmas regras e, pouco a pouco, criando mais desregulamentação dos mercados e criando mais fome e pobreza. Em Portugal, os partidos que fizeram isso foram o PS, o PSD e o CDS. Por isso é que não voto nem nunca votei neles.

É que recuso-me a aceitar que a Democracia se resuma a um voto que ainda por cima é fortemente condicionado pelos media. Democracia é também gostarmos uns dos outros e termos uma Economia solidária, em que os impostos são usados para que os mais pobres tenham na mesma acesso ao que é fundamental à vida. O Capitalismo é o contrário disso, e portanto é também o contrário do Amor. Eu sou anticapitalista por causa disso, porque me recuso a aceitar que alguém, por ser pobre, não tenha acesso a água, saúde, educação, alimentação, habitação, mobilidade e... enfim... felicidade.

O Capitalismo é o modelo que cria propositadamente desemprego para que quem emprega possa pagar menos a quem trabalha, e ao mesmo tempo chama falhados aos desempregados. O capitalismo é o modelo do PS, do PSD e do CDS, e é por isso que eu não voto nem nunca votei neles. É também por isso que não olho para o 25 de Abril como algo que acabou, mas sim como algo que ainda está a começar.

Bom 25 de Abril para todos vocês, leitores deste blogue, de quem eu gosto e a quem, estejam desempregados ou não, desejo uma vida feliz.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O beija-mão

A troika PS/PSD/CDS candidata-se ao cargo de regente do FMI. A esquerda candidata-se para um governo democrático que sirva os interesses da população. A esquerda rejeita esta “ajuda” de maçã envenenada. [continuar a ler aqui]

Nelson Peralta

quarta-feira, 13 de abril de 2011

análise

Porque é que a troika constituída pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisam de várias semanas para analisar a situação económica portuguesa, quando uma agência de rating só precida de cinco minutos para descer o rating de Portugal relativamente à sua capacidade de pagar a dívida?
Porque as agências de rating não analisam nada. Limitam-se a cumprir o desejo de quem lhes paga para classificar um Estado, ou seja, precisamente aqueles que têm interesse que essa classificação seja o mais baixa possível.

domingo, 10 de abril de 2011

o idiota útil

O candidato que Mário Soares lançou à Presidência da República para impedir que Alegre conseguisse uma segunda volta com Cavaco Silva, vai ser o cabeça de lista do PSD em Lisboa nas legislativas que se avizinham. Nada de novo, portanto. Foi um idiota útil para Mário Soares (e para o PS) uma vez, será um idiota útil uma segunda vez para o PSD. Tudo entre amigos, portanto.
O problema é que quando o Governo se demitiu, a propósito do chumbo do seu PEC IV na Assembleia da República, Fernando Nobre apressou-se a dizer ao Diário de Notícias que não integraria as listas de nenhum partido porque "o seu pilar é a cidadania". Das duas uma, ou o pilar da cidadania já não é o seu pilar, ou então nunca o foi. Eu aposto nesta última.
Aposto também que desta vez não pedirá que lhe dêem um tiro na cabeça...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

para os eurodeputados a austeridade fica à porta



Miguel Portas critica o aumento de verbas para os deputados europeus, decidido por eles próprios. "Este debate não é sobre números, é sobre ética e sobre política", disse o eurodeputado bloquista.

quarta-feira, 30 de março de 2011

de peito aberto

A Assembleia da República é composta por 230 deputados eleitos por sufrágio universal dos cidadãos. É com esse 230 deputados e com o Governo que ali se discutem, fazem e aprovam as leis da República.
Gil Garcia, da corrente Ruptura/FER, inserida no BE, acha que Bloco de Esquerda e PCP se deviam entender quanto a uma coligação para tentar formar governo, e nessa sua ânsia de convergência à esquerda, anuncia que se ela não acontecer durante a próxima Convenção nacional do Bloco, ele sai e forma um partido novo. Estranha forma de convergência, digo eu, tanto mais quando se lidera um movimento que se chama Ruptura e que tudo faz menos reunir consensos à Esquerda.
Mas a propósito de consensos à Esquerda, há uma coisa que eu tenho a certeza: Bloco e PCP não se devem coligar neste momento por causa daquilo que os distingue (funcionamento, estatutos revisionismo/ortodoxia, etc), mas se os cidadãos portugueses decidirem dar a ambos os partidos 115 deputados, aquilo que os une será mais forte que isso que os distingue, e as leis aprovadas serão sempre a favor de quem trabalha e não de quem é proprietário/especulador. Basta que ambos, coligados ou não, votem de igual forma. Aí, que não restem dúvidas.
Devo dizer que, apesar de tudo, não estando minimamente de acordo com o conteúdo do que diz Gil Garcia, esta sua posição de peito aberto tem que ser discutida, e o motivo pelo qual sou aderente do Bloco e não de outro partido qualquer é mesmo esse: tudo pode e deve ser discutido assim, de peito aberto. E se o camarada Gil Garcia quiser sair deste projecto político pelo seu próprio pé, que saia. Expulso é que não será.
É assim que a Esquerda tem que estar na discussão política. De peito aberto.

sábado, 26 de março de 2011

a única saída possível para a crise!

Perante a chantagem de José Sócrates se demitir caso o seu PEC IV não passasse na votação da Assembleia da República, nenhum dos partidos da oposição cedeu e o primeiro-ministro foi mesmo obrigado a demitir-se. Portugal encontra-se agora mergulhado em duas crises: uma económica e outra política. A questão é que a crise económica é real e a crise política pode transformar-se numa oportunidade. A oportunidade de mudar o que está mal.
Com efeito, os partidos da Esquerda e da Direita parlamentar 'obrigaram' o PS a cair do Governo em conjunto mas com intenções diferentes. A Direita quer exactamente o mesmo plano de austeridade mas sendo ela própria a implementá-lo, e a Esquerda quer pôr fim já à austeridade para pôr em marcha um plano de desenvolvimento económico rápido, justo e eficiente.
É que a austeridade não é a única saída para a crise económica. Aliás, nem se sequer é uma saída para qualquer que seja a crise, e se houve algum mérito nos sucessivos PECs do Governo PS foi esse mesmo: demonstrar que a austeridade só empobrece. Ao primeiro PEC sucedeu-se outro, depois, outro, depois outro... e nunca mais sairíamos disto enquanto o Governo não caísse.
Ainda esta semana Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, dizia isso mesmo na sua coluna do The New York Times*, citando exactamente o erro do Governo de José Sócrates, ou seja, é um erro reduzir a despesa pública quando há desemprego elevado porque isso afunila ainda mais a Economia criando uma bola de neve imparável. É óbvio. Tão óbvio que, tirando a direita parlamentar (PS, PSD e CDS), todos perceberam isso.
Posto isto, é legítimo perguntarmos porque é que essa direita insiste em percorrer o caminho do empobrecimento do país, em vez da sua recuperação económica. A resposta também me parece óbvia. Essa direita, como se viu bem nas visitas de Passos Coelho a Bruxelas e de José Sócrates à Alemanha, é a direita que representa os interesses instalados da burguesia europeia (leia-se principalmente bancos alemães), e a dívida externa portuguesa é essencialmente aos bancos privados alemães. Ora, com o afunilamento da Economia portuguesa, a dívida não pára de aumentar gerando todos os dias mais lucros  para esses bancos, e nem sequer há o perigo de um dia não a podermos pagar. É que o Banco Central Europeu, que apesar de ser público e gerir um Orçamento com base nos impostos dos trabalhadores europeus, nunca compra dívida de um Estado para aliviar a taxa de juro com que este pede empréstimos. Antes pelo contrário, empresta dinheiro barato (1%) aos bancos privados, para que depois estes o emprestem sete ou oito vezes mais caro aos Estados. Se o Estado falhar o pagamento, aí o BCE já compra a dívida, mas apenas no mercado secundário, ou seja, os títulos de dívida que esses bancos possuem.
Podemos também questionar se políticos de direita eleitos pela população andam, de facto, a favorecer bancos e a prejudicar quem os elegeu propositadamente. A resposta é só uma: Sim. E aí já perdemos a conta ao dinheiro que o Governo do PS enterrou em bancos, contribuindo assim decididamente para o crescimento da crise portuguesa. Só da primeira vez foram 2,2 mil milhões de euros no BPN e 450 milhões no BPP, e a isto ainda podemos somar a descapitalização do Estado com as privatizações da Galp, da saúde, educação, água. Tudo numa lógica de um Mercado Capitalista que já estava a abrir brechas.
Agora, para provar que isto tudo é assim mesmo, temos o exemplo da Islândia, um país cujo crescimento Económico era essencialmente especulativo e que, por isso, se afundou mais depressa do que todos os outros. No entanto, hoje em dia já ninguém fala de crise naquele país. Recusou-se a salvar bancos e hoje está mesmo a tentar criminalizar na Justiça os políticos que o fizeram, mudaram de Governo e de modelo económico (para a Esquerda), recusaram a austeridade e agora são um exemplo. Um exemplo de que a Direita Europeia não quer que se fale muito, mas isso é outra história. É só há uma saída para a crise: votar à Esquerda. 


sexta-feira, 25 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

amanhã o planeta continuará a girar

Às vezes as manhãs são um alívio. Quem ontem se deitou a pensar num governo demissionário, hoje acordou com os raios de Sol a bater nos vidros da janela, o que quer dizer que o planeta continua a girar sobre si mesmo e também em torno da sua estrela. A boa notícia é essa: não temos que ter medo, porque a ordem natural das coisas ninguém pode alterar.
Aproveitemos portanto para alterar aquilo que é alterável e que nos tem prejudicado a todos, e que são as regras do sistema económico capitalista, aquelas que permitem que a classe trabalhadora seja legalmente roubada todos os dias. E entenda-se por classe trabalhadora não apenas os que trabalham mas sim aqueles que dependem do trabalho para sobreviver. Trabalhadores, desempregados, estudantes e precários, enfim, todos os que não têm propriedade excessiva nem especulam na alta finança.
Foi esse roubo constante que nos pôs a todos na crise, esse roubo que faz com que a propriedade seja milhares de vezes mais rentável que o trabalho e que permite que quem nada faz, a não ser especular, seja dono de quem trabalha através de políticos que o dão de barato.
A primeira crise é essa, a das regras que têm que mudar para que não haja mais crises. Os partidos da maioria de sempre em Portugal, PS e PSD, que defendem uma economia liberal, socorreram-se dos nossos impostos para salvar bancos que andaram anos a ganhar milhões à nossa custa, e cujo lucro desapareceu de um dia para o outro. Afinal a Economia Liberal e o Capitalismo não funcionam, a não ser com a intervenção do paizinho Estado para os salvar das suas próprias asneiras.
Não tenhamos medo que o Estado intervenha com esses milhões na Economia, mas sim para gerar emprego, criar riqueza que é de todos, evitar os desperdícios do Capitalismo e garantir os serviços e bens essenciais a toda a população. Votem à Esquerda. Não tenham medo. Amanhã o planeta continuará a girar.

sábado, 19 de março de 2011

sempre o ps...

Qual é o partido português que tem um deputado que foi bêbado para sessão de discussão da moção de censura ao Governo em Março de 2011?
O PS, e o deputado em causa foi Sérgio Sousa Pinto, escolhido precisamente para defender o Governo nessa moção.

Qual é o partido português que tem um deputado que roubou os gravadores aos jornalistas da Sábado, quando o entrevistavam sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia?
É o PS, e o deputado em causa foi Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar daquele partido.

Qual é o partido que tem um líder suspeito de ter acabado o curso com trafulhice, suspeito de corrupção no caso Freeport e suspeito de ter assinado vários projectos de construção que não lhe pertenciam?
É o PS, e o líder em causa é José Sócrates, actual primeiro-ministro português.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"O senhor é corajoso para tirar 300 milhões aos reformados mas já deu 151 milhões à Mota Engil e ao Banco Espírito Santo. O senhor não olha a meios para atingir os fins" 

Francisco Louçã a José Sócrates hoje, 18 de Março, na AR, mais uma vez sem resposta...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cavaco Silva como Rambo

Do discurso de Cavaco Silva na justa na Cerimónia de Homenagem aos Combatentes, por ocasião do 50º Aniversário do início da Guerra em África, escusamos de perguntar onde estava ele antes do 25 de Abril, ou seja, antes do fim da Guerra. Todos sabemos a resposta. Esta em Portugal e era bufo da PIDE, ou seja, um apoiante silencioso do Regime que mantinha a Guerra fora e dentro de portas.
Passe a ironia, o maior elogio que se pode fazer ao actual Presidente da República Portuguesa é que tem um discurso honesto, tão transparente quanto igual a ele próprio. Resta saber se o é assim propositadamente, ou porque não consegue mais.
É que do discurso realça a sua vontade de fazer um filme do estilo do Rambo, em que um herói português regressa secretamente às ex-colónias portuguesas para salvar os prisioneiros que,mais de trinta anos depois, continuam detidos em campos escondidos no meio do mato. Para ele, os soldados portugueses dispuseram-se "a perder as suas vidas pela Pátria" e saúda ainda "os militares de etnia africana que, de forma valorosa, lutaram ao nosso lado. Todos, combatentes por Portugal!".
Cavaco Silva é presidente de um país que condenou o regime de que ele próprio parece saudosista, e condenou também a guerra colonial onde, por motivos históricos, se deveria saudar a justa luta dos povos pela sua autodeterminação e homenagear os soldados que sofreram em África, porque eram obrigados a fazê-lo e não porque se voluntariavam para o fazer. Faz toda a diferença.
Talvez por isso, por fazer toda diferença, enquanto primeiro-ministro Cavaco Silva não mexeu uma palha para compensar as feridas de guerra como o stress pós-traumático ou as deficiências físicas que impediam, e ainda hoje impedem milhares de ex-combatentes de terem uma vida normal.
Do discurso, ou melhor, do filme de Cavaco, falta por isso o essencial. O reconhecimento de que os soldados de ambos os lados foram vítimas, e que talvez por isso eles próprios tenham contribuído de forma decisiva para acabar com a guerra e com o regime.

terça-feira, 15 de março de 2011

duas Esquerdas...

O PCP lançou uma campanha contra o papel dos deputados do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, a propósito da resolução sobre a situação actual da Líbia, em que se incluía a propalada "zona de exclusão aérea".
Na minha opinião, há uma diferença entre a esquerda que se contenta com a derrota desde que chegue virgem à idade adulta, e essa é a Esquerda do PCP, aquela que apoia os que são ditadores em nome do Socialismo, não percebendo que o caminho do Socialismo tem que ser pela Democracia e não pela Ditadura. Kadafi é um desses ditadores, apoiado historicamente por Cuba, Coreia do Norte e, sejamos sinceros, pela Europa que lhe vende o armamento.
Mas há outra Esquerda, e a outra Esquerda é aquela que busca o compromisso em nome de um mundo melhor, não apenas daqui a quinhentos anos mas já hoje e o mais possível. É que hoje, meus amigos, o mundo sufoca por mudança.
A esse propósito, e para os interessados, proponho a resposta dos deputados Miguel Portas e da Marisa Matias: http://esquerda.net/opiniao/resposta-infame-campanha

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

sobre a moção de Censura

(intervenção na Assembleia Municipal de Aveiro, durante o PAOD)

Da moção de censura ao Governo anunciada pelo Bloco de Esquerda, e sobre a qual já os diversos partidos tiveram oportunidade de expressar a sua opinião, há uma conclusão que se tira facilmente. O estado caótico em que o país se encontra, está a ser governado por um pacto entre o PS e o PSD. O PSD entra nele porque esse estado é tão caótico que não lhe dá muito jeito ir já agora para o poder, e entretanto o PS, em nome duma esquerda falsa que não o chega a ser, vai fazendo tudo o que a própria direita faria. O PSD sabe isso, e portanto deixa estar. Porquê trabalhar quando temos alguém que o faz por nós?
A responsabilidade de uma moção de censura é só uma: se ela for votada maioritariamente conduz a novas eleições. E a desgovernação, assim como a fuga constante ao que foi o programa eleitoral do PS para o Governo da República, exigem e mais do que justificam novas eleições, mas os partidos da falsa oposição (PSD e CDS) contornam esta oportunidade como quem tenta passar pelos intervalos da chuva. Setecentos mil desempregados, um milhão de recibos verdes, cortes salariais, aumentos de impostos, atrasos no pagamento do subsídio de desemprego e a iminente entrada do FMI neste país tornam-no o máximo expoente da incompetência e da ingovernabilidade. Isto, no mesmo país em que os bancos, apoiados pelos dois partidos com mais representação na Assembleia da Republica, lucram três milhões de euros por dia e têm taxas de IRC mais baixas do que uma pequena ou média empresa qualquer do tecido produtivo nacional.
Não é democrático seguir uma política onde os cidadãos têm cada vez menos direitos e menos vida, não é democrático alterar questões fundamentais da Economia nacional sem perguntar aos cidadãos se estão ou não de acordo.  Pois este governo do PS privatizou a Galp, criando um monopólio privado nas refinarias nacionais, sem o propor e sem perguntar nada aos portugueses; pegou em milhões e milhões de euros, e afundou a Economia nacional para salvar bancos privados que passaram anos envolvidos em operações de estranha especulação e actos fraudulentos, sem perguntar nada a ninguém; portajou scuts que já estavam mais que pagas pelo contribuintes, e que eram essenciais para a mobilidade de cidadãos no seu dia-a-dia, no percurso casa-trabalho e trabalho-casa, também sem perguntar nada a ninguém.
A moção de censura justifica-se porque estamos perante um governo que não respeita nada nem ninguém. Nem sequer os seus próprios eleitores, e porque estamos perante um governo incapaz de acelerar a Economia Nacional e combater a pobreza. Justifica-se. Precisamos de mudança, mas o PSD e o CDS não a querem.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

a erosão da costa em Esmoriz



Pedro Soares, eleito deputado por Aveiro, em Fevereiro de 2011