sexta-feira, 9 de julho de 2010

o lixo que nós pagamos

Quem é responsável pelo lixo produzido? O cidadão consumidor ou quem o produz? Para o modelo político vigente no nosso país parece ser o consumidor, já que este é taxado pelos resíduos sólidos de várias formas, sendo a mais directa no caso dos aveirenses aquela que vem na factura da água.
Se pensarmos bem, no entanto, os cidadãos não são responsáveis pelo lixo que adoece o nosso planeta. Há uns anos quem queria comprar uns parafusos em Aveiro ia a uma drogaria e comprava-os. Agora vai a uma grande superfície e também os compra, aos parafusos e a uma embalagem com plástico e cartão. O mesmo se passa em tudo, e até já vivemos na era da dupla ou tripla embalagem, de tal forma que comer um iogurte  pode ser mais difícil que desembrulhar um presente de Natal.
O sistema económico tornou-se um simples subordinado das grandes superfícies comerciais e das finanças, e ambos vivem directa e/ou indirectamente da produção de desperdício. O consumo tem que aumentar todos os dias para os ecossistemas económicos não falirem, e como as necessidades básicas de qualquer cidadão não crescem todos os dias, é preciso que ele consuma aquilo de que não precisa: lixo. Entretanto são os ecossistemas do planeta que sofrem as consequências, mas para o capitalismo isso é um pequeno nada.
Um pequeno nada que só se transforma num grande tudo quando é possível ganhar dinheiro com esse lixo. Alguém se lembrou da palavra mágica “reciclagem” e alguém tratou de ganhar dinheiro com ela. Afinal o lixo também é matéria e por isso também é energia. Agora os cidadãos pagam a taxa do lixo que é produzido por outros e que depois é usado por esses outros novamente para ganhar dinheiro.
Foi nesse sentido que o Bloco de Esquerda propôs, durante a discussão sobre o relatório da instalação da UMTB em Aveiro, ao Executivo da Câmara que terminasse imediatamente a taxação dos resíduos aos cidadãos na factura da água e passasse a taxar, por exemplo, os hipermercados pelos sacos de plástico que distribuem gratuitamente. É uma questão de justiça na Economia, esta, mas entretanto vem a nu a perda do controle da Câmara sobre a gestão da água pela sua passagem para a ADRA e um bom exemplo para mostrar que aquilo que é de todos deve continuar a ser de todos.

5 comentários:

Nicole disse...

As empresas (pelo menos as legais) também pagam taxas pelo "lixo" que produzem ou importam!

Existem os pagamentos à Sociedade Ponto Verde pelas embalagens utilizadas.

bagaco amarelo disse...

nicole, estranha forma de taxar, essa, já que a sociedade Ponto Verde nem sequer é pública. É privada.

Antonio Branco disse...

quanto aos sacos dos supermercados, peço desculpa mas estou em completo desacordo.
a lei obriga a que todo o lixo doméstico (que não seja para reciclar) seja colocado em sacos de plástico. se eu não os tiver de graça tenho de os pagar... quer-me parecer que essa é apenas mais uma manobra dos super e hipermercados para, com o apoio das autoridades não "darem" sacos de plástico, antes os venderem já que vamos continuar a precisar deles enquanto a lei nos obrigar a colocar o lixo em sacos...

Nicole disse...

É uma empresa privada com licença estatal para fazer a gestão de resíduos de embalagens até 2011.

O valor é proporcional ao peso e tipo de material de embalagem colocado no mercado anualmente por uma empresa, quer sejam sacos de plásticos ou cartão.

A realidade é que todos se querem descartar de tudo o que seja pagamento.

bagaco amarelo disse...

antónio branco, eu também ponho lixo orgânico em sacos de plástico. no entanto sabemos que a produção de plástico é um dos maiores problemas ambientais que temos que enfrentar actualmente, pelo que ou a indústria começa a usar outro tipo de material reciclável ou deve pagar por isso. A questão é que não é sustentável esta distribuição gratuita de plástico. :)

nicole, sendo uma empresa privada o dinheiro que se paga à empresa não é um imposto porque não se torna dinheiro público, ou seja, dinheiro para ser usado pelo Estado. Só o dinheiro público num serviço prestado por uma empresa pública garantiria o interesse público que está aqui em discussão. Aliás, já aconteceu, por exemplo, a Sociedade Ponto Verde suspender a retoma de plásticos por questões meramente financeiras. :)