sábado, 31 de julho de 2010

é tão simples quanto isto...

Eu pago impostos com muito gosto porque acho que o modelo económico deve ser solidário, isto é, tenho gosto que os impostos que eu pago sirvam para uma pessoa que eu não conheço de lado nenhum possa ir ao hospital e ser atendida gratuitamente. Só assim, com solidariedade na Economia, é que uma pessoa pobre pode ser atendida da mesma forma que uma pessoa rica. O mesmo se passa em todas as outras áreas. Quero que os meus impostos sirvam para uma criança que eu não conheço de lado nenhum possa estudar, para que um trabalhador que eu não conheço de lado nenhum possa deslocar-se de Aveiro ao Porto num transporte público ou para que outra pessoa qualquer que eu não conheço da lado nenhum tenha água em casa.
Claro que isto só é realmente possível quando há riqueza suficiente para o pagar. Se o Estado não tiver dinheiro suficiente para manter um serviço de saúde, de educação ou de transportes vai ter que abdicar deles entregando-os aos privados que, como só têm como objectivo ganhar dinheiro e não prestar um serviço, só o prestam a quem paga. O resultado é que passamos a ter um Estado mais injusto e menos democrático.
Para o Estado ter riqueza é preciso que produza e para produzir tem que possuir os meios de produção para isso. Assim, a riqueza produzida mantém-se no Estado e pode ser utilizada para o fim comum que é o bem estar e a felicidade dos cidadãos. É por isso que por dinheiro nenhum se deve privatizar o que quer que seja. Em Portugal temos imensos exemplos de privatizações que governos do PSD e do PS fizeram e que ajudaram a descapitalizar o país. A Galp, por exemplo, ajudou o Amorim a tornar-se rapidamente o homem mais rico deste país mas ao mesmo tempo é menos uma fonte de rendimento que pode ser usada por TODOS.
Resumindo, quando uma empresa é pública é de todos e por isso os trabalhadores trabalham para si, quando uma empresa é privada os trabalhadores trabalham para outros, sujeitando-se apenas aos interesses dos donos (normalmente accionistas que nem sequer saem duma cadeira para ganhar dinheiro).
Para além disso, é também preciso que o dinheiro que circula na Economia corresponda exclusivamente a essa riqueza produzida e não ao dinheiro que surge por magia nos meios especuladores. Os bancos, as bolsas, os off-shores, as agências de crédito e similares são máquinas de pôr o dinheiro a fazer dinheiro, e quanto mais dinheiro há menos ele vale (como outra mercadoria qualquer) e por isso, a parte do dinheiro que corresponde àquilo que é efectivamente produzido perde valor.
Perceber que um sistema socialista é mais justo que um sistema neoliberal é tão simples quanto perceber isto.

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