quarta-feira, 30 de junho de 2010

o psd e o cds casam ou não?

Após uma intervenção na primeira sessão da Assembleia Municipal de Aveiro em Junho de 2010 sobre a actual crise económica, as suas causas e efeitos na população portuguesa, em que um estudo recente do ISCTE revela que 31% das famílias portuguesas se enquadra no escalão imediatamente acima do limiar da pobreza e 20,1% na pobreza real, a resposta do deputado do CDS-PP não se fez esperar. Diz ele que o Bloco de Esquerda critica muito mas não tem votos da população. Por que será?
O que me preocupa nesta afirmação do deputado daquele extremo à direita na Assembleia Municipal não é a tentativa de diminuição do Bloco de Esquerda. É, tal como lhe disse frente a frente, a visão simplória que tem da vida democrática. Mais ainda, perguntei-lhe se tem noção que é do CDS e da representatividade que o CDS tem neste país. É que às vezes, de facto, parece-me que ele pensa que é do PSD. Más notícias para ele: não é.
Não é mas eu até entendo a sua confusão. É que em Aveiro nunca sabemos muito bem quando é que o CDS se confunde com o PSD e quando é sua oposição. Por exemplo, na proposta que o Bloco fez na Assembleia Municipal para que esta fizesse um voto de saudação pelo fim da discriminação em Portugal no acesso ao casamento civil, PSD e CDS suaram em uníssono para que a mesma nem sequer fosse votada. Mas foi... e eles votaram contra. PS e PCP votaram a favor.
Se mudássemos de assunto, e por exemplo falássemos do projecto da Câmara do Parque da Sustentabilidade, já não sabemos bem se o CDS o apoia ou não. Parece que uns sim, outros nem por isso. O problema é que os que não apoiam são os do Executivo.
Pois é.