quinta-feira, 18 de março de 2010

pedido de desculpa às bancadas do PSD e do CDS na Assembleia Municipal de Aveiro

Entendo que devo pedir desculpa às bancadas do PSD e do CDS na Assembleia Municipal de Aveiro. Aliás, já o fiz ontem durante a discussão da proposta do Bloco de Esquerda de implementação do Orçamento Participativo que foi, durante cerca de meia hora, atacada fortemente por aquelas bancadas. Nesses ataques, que visaram principalmente a essência do que é um Orçamento Participativo, ficou claro que os deputados do PSD e do CDS desconhecem totalmente o seu próprio programa eleitoral, já que ficaram todos com ar de espanto quando lhes li a alínea 3 do mesmo:

3) Reforçar a Cidadania.
3.1 Divulgar o Orçamento Participativo e aperfeiçoar a metodologia de maneira a favorecer a participação dos cidadãos.

Para além da ignorância sofrível sobre o próprio programa eleitoral, a lata também não tem limites naquele extremo direito. Primeiro atacaram-nos por defendermos o Orçamento Participativo. Depois, quando descobriram que afinal eles também o defendem oficialmente, atacaram-nos por fazermos uma proposta que estava no programa eleitoral deles.
Pois é... peço desculpa por ter lido esse programa e ter acreditado que ele era sério. Não torno a repetir esse erro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

não se dispara

Nuno Rodrigues, um rapper de Chelas, foi morto a tiro por um elemento da PSP depois de, alegadamente, não ter parado numa operação stop em Lisboa. Em comunicado, a PSP alega que "o condutor desobedeceu aos sinais regulamentares de paragem" e que depois, durante a perseguição, "foram efectuados disparos de arma de fogo".
Podia estar aqui com pormenores técnicos, por exemplo sobre a incapacidade que um Lancia Y10 tem de fugir a qualquer veículo da polícia, mas não estou. Acho que a coisa é muito mais simples: não se dispara sobre quem não representa um perigo eminente. Qualquer polícia deve saber isso. Se não souber então não pode ser polícia.
Há uma vulgarização da violência do Estado em Portugal que me assusta, e que é sustentada essencialmente pela falsa ideia de que Portugal é um país inseguro e cheio de criminosos. Há uma sobrevalorização da propriedade e dum mesquinho modus vivendi em detrimento do valor da vida.
Portugal não é um país perigoso, mas passa a ser se a polícia começa a disparar sobre quem não pára numa operação stop.

terça-feira, 16 de março de 2010

o trabalho liberta

Ouvi hoje no fórum TSF, a propósito das regras mais apertadas no subsídio de desemprego que o governo incluiu no PEC, um ouvinte a dizer que "quem vive com subsídio de desemprego vive à custa dos que trabalham" e que "a maior parte das pessoas não quer é trabalhar".
Eu sabia que já tinha ouvido um disparate parecido um dia destes mas não me lembrava onde. Depois, com algum esforço, cheguei lá: foi na Assembleia Municipal de Aveiro do passado dia 10 de Março quando, a propósito das preocupações do Bloco de Esquerda com os Sem Abrigo de Aveiro, um deputado do CDS-PP me disse que "os Sem Abrigo não querem trabalhar" e que "muitos desses Sem Abrigo vêm sabe-se lá donde".
Eu sabia que já tinha ouvido um disparate parecido com este mas não me lembrava onde. Depois, com algum esforço, cheguei lá: foi no campo de concentração de Auschwitz em cuja entrada os Nazis escreveram "o trabalho liberta".
Na referida Assembleia pedi ao senhor deputado do CDS que me mostrasse um estudo científico que provasse que os Sem Abrigo de Aveiro não querem de facto trabalhar, mas tudo o que ele foi capaz de me responder foi que "conhece alguns que não querem". Além disso, informei o mesmo deputado que fiquei a saber que ele prefere os Sem Abrigo que se sabe donde vêm do que aqueles que vêm sabe-se lá donde, e que isso se chama preconceito.
É mesmo de preconceito que estamos a falar e eu, admito, também acabo por ter alguns preconceitos. Por exemplo, conheço alguns administradores de grandes empresas que passam a vida a roubar e com isso levam um banco à falência, conheço também alguns ministros que fazem grandes injecções de dinheiro público nesse banco para ele não fechar e proteger os seus accionistas. Tudo disparates, é verdade, mas eu como não gosto de preconceitos tento não generalizar e por isso não digo que todos os administradores são uns ladrões, nem que todos os ministros são uns... hum... ladrões também.
Precisamente por não gostar de generalizar e achar que na política isso é um erro enorme, ou seja, tomar decisões com base no senso comum, é que nunca faria uma asneira tão grande como partir do princípio que os Sem Abrigo não querem trabalhar só porque um ou dois não querem. A mim até me parece, assim sem fazer um estudo exaustivo, que os Sem Abrigo querem trabalhar, sim, pelo menos se lhes pagarem condignamente. É que de repente parece-me melhor ser um Com Abrigo do que um Sem Abrigo. Ora pensem lá bem...
Talvez o CDS-PP goste de ir beber algum do seu método de trabalho a essa fonte do século passado que foi o Nazismo, e que vê o trabalho escravo como uma forma de engrandecer os homens. Eu não gosto, e prefiro ver o trabalho como um direito. Assim como o é a vida, por exemplo...

quarta-feira, 10 de março de 2010

rendimento social de inserção em debate

O Bloco de Esquerda – Porto vai promover um debate sobre o RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO na próxima sexta-feira, 12 de Março, às 21h30 na sede distrital (R. Torrinha, 151; Porto) com Ricardo Sá, João Teixeira Lopes, Luísa Cunha e Teresa Salselas.