sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o trabalho descartável e a equação da produção de riqueza

A Tyco Electronics despediu em Agosto 110 trabalhadores da sua fábrica de Évora. Agora está a subcontratá-los através de empresas de trabalho temporário. É o trabalho descartável e a precariedade a ganharem terreno ao trabalho com direitos. A precariedade significa menos vida para os trabalhadores, o trabalho com direito significa mais vida. O governo PS aprovou um código de trabalho que permite mais facilmente a precariedade, ou seja, menos vida para os portugueses.

A produção de riqueza é feita pelos indispensáveis meios de produção e pelos indispensáveis trabalhadores. Os donos dos meios de produção são, portanto, o único factor dispensável na produção real de riqueza. O modelo económico vigente, neoliberal e suportado pelos partidos que têm governado este país, altera a natureza desta equação de uma forma artificial, permitindo que nela a propriedade do meio de produção seja o elo mais importante.
Como é que se faz isto? Fácil: primeiro cria-se desemprego para que o dono do meio de produção ganhe vantagem na lei da oferta e da procura, depois suavizam-se as leis laborais para que a balança entre trabalhador e empregador seja o mais desequilibrada possível. O Partido Socialista e o partido Social Democrata têm andado de mãos dadas nestes objectivos e, admita-se, têm conseguido avanços.

Enquanto força política, a esquerda a sério não pode limitar-se a tentar que as leis laborais favoreçam cada vez mais o trabalhador, embora esse deva ser o primeiro passo. É necessário inverter completamente a lógica desta equação, fazendo com que a força de trabalho e o meio de produção sejam o mais importante na produção de riqueza. A única maneira de o conseguir é entregando ao próprio trabalhador o meio de produção.

A propriedade pública não tem nem deve ser total, mas deve estar presente nos sectores principais da Economia e da Sociedade. De resto, a propriedade privada deve ser admitida também como forma de realização pessoal, mas deve jogar numa sociedade de pleno emprego e com garantias de uma vida digna para os trabalhadores. Basicamente, quem quer ganhar dinheiro a produzir, pode e deve fazê-lo, mas sem esmagar ninguém, se faz favor...

2 comentários:

João Dias disse...

"Os donos dos meios de produção são, portanto, o único factor dispensável na produção real de riqueza."

Não deixa de ser curioso que a direita se advogue defensora da meritocracia quando, na realidade, substitui o mérito por relações parasitárias de propriedade que, em certos casos, vêm do tempo de Salazar.

bagaco amarelo disse...

joão dias, exacto. o mérito, para a direita, não é o trabalho. é sim a propriedade. :)