quinta-feira, 23 de julho de 2009

o desemprego como um falhanço pessoal...

É mentira que os desempregados o são, ou o estão, em determinada altura da vida por incompetência própria. A sensação de que se falhou na vida quando se está desempregado é uma imposição do modelo de produção capitalista que necessita de desempregados como de pão para a boca, e necessita para poder fazer chantagem sobre os que estão empregados.
O papel político dos governos ocidentais tem sido, por isso, manter a taxa de desemprego numa percentagem que permita essa chantagem e que, simultaneamente, evite a revolta social. Portugal, evidentemente, não é excepção e tanto o Partido Socialista como o Partido Social Democrata têm sido fundamentais neste papel.
Este facto, associado à sacralização das palavras "trabalho" e "sofrimento", inseridas na nossa herança judaico-cristã, fazem com que o emprego seja considerado uma dádiva dos empregadores. Não o é. Quem emprega uma pessoa, emprega-a porque precisa dela para trabalhar e retirar daí mais-valia (em Marx, a diferença entre o que se produz e o que se ganha). É portanto estranho que se possa considerar um favor quando alguém emprega alguém... e mais estranho ainda é alguém convencer alguém de que a empregabilidade serve antes de mais para dar dinheiro a quem trabalha...

2 comentários:

Green Tea disse...

Depois de tantas vezes a ler o não compreendo as mulheres (regra geral, quando comento, é com o login Miss Me, do blog do sapo, mas aqui nao dá), hoje deu-me para vir aqui... e este post foi, de longe, aquele que mais mexeu comigo.. Parece-me que vou voltar mais vezes, apesar da minha esquerda andar enferrujada.

obg

PS vervesto é a palavra de verificaçao. VERVESTO??? uh???

bagaco amarelo disse...

green tea, obrigado. se calhar não é a tua esquerda que anda enferrujada. a esquerda enferrujada é a do PS... e por isso algumas pessoas que se reviam nos programas daquele partido, acham que andam também enferrujadas... :)