sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

discussão acesa...


(clicar na imagem para ler)

Quando chamei roubo à isenção de impostos atribuída à NavalRia tive o cuidado de dizer que era um roubo legalizado. Aliás, é a minha opinião sobre o modelo capitalista: é um roubo sistemático e legalizado aos trabalhadores. Os tribunais agem de acordo com o que está previsto na lei, ou seja, a resposta do deputado socialista à minhas afirmações, em que me diz para apelar aos tribunais, são apenas uma fuga ao que devia ser uma resposta política. Do PSD veio uma pseudoindignação por alegadamente eu lhes ter chamado ladrões. Não lhes chamei ladrões, apenas disse que a referida isenção de impostos era um roubo legalizado. Portanto, se o deputado João Carlos Oliveira achou que eu lhe tinha chamado ladrão, só pode ter enfiado um barrete qualquer que eu não lhe quis enfiar...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

combate à corrupção

O Combate à Corrupção pode ser excessivo?

Para Jorge Lacão pode. Epá... vamos combater a corrupção mas sem exageros, senão um dia destes nem sequer um bocadinho de corrupção temos.

os tiques de direita do partido comunista português

"Nos primeiros nove meses de 2007, os proveitos operacionais consolidados da Martifer atingiram os 243 milhões de euros"
in Revista PortugalGlobal, nº1, de Abril de 2008

Resultado da Martifer dos primeiros nove meses deste ano: 124,4 milhões de euros
fonte: página 4 do relatório de contas da empresa

A Assembleia Municipal de Aveiro aprovou ontem, com os votos da direita (PS, CDS e PSD), a isenção do pagamento das taxas de IMI e IMT à empresa NavalRia. A NavalRia faz parte do grupo Martifer, ou seja, dum grupo que só em 2007 lucrou mais de 250 milhões de euros (e este ano já passou os 120 milhões). Ao abdicar destes impostos está a tirar-se do que é público, ou seja, de todos, para ficar num grupo capitalista. E o que é que o PCP fez? Em vez de votar contra por opção política, absteve-se por a proposta ter "pouca informação". Deduzo que para o PCP participar de forma mais activa no roubo legalizado que é o capitalismo só lhe falta... mais alguma informação. > link para a Rádio Terranova

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

pcp, psd e cds... tão amigos que eles são...



Gostava de realçar, tal como fez um deputado do PSD na Assembleia Municipal de Aveiro ontem realizada, que o PCP está de acordo com um projecto fiscal feito pelos partidos da direita. O deputado do PCP (que ao contrário da sessão anterior não abandonou a Assembleia antes do primeiro ponto agendado), de facto pareceu não querer combater a actual especulação imobiliária que o pacote permite e foi o único partido que se juntou à direita (PSD e CDS) votando favoravelmente o mesmo. A bancada do PS absteve-se e o Bloco de Esquerda votou contra.

O pacote fiscal apresentado diz que cumpre uma preocupação social ao descer o IMI em cinco freguesias rurais do concelho, ou seja, para estes partidos o apoio social começa por se fazer junto de proprietários e não junto de quem é pobre. Pior ainda é este argumento não ser mais do que uma falácia, já que o valor é irrisório. O que esta medida vai permitir, isso sim, é que a construção e a especulação imobiliária nas zonas rurais aumente.

Mais ainda, se não me espanta que a direita considere que uma habitação degradada cria “uma área de influência de má vizinhança colocando em perigo a segurança de pessoas e bens”, espanta-me que um partido que se diz de esquerda assine este preconceito por baixo, ou seja, para o PCP não interessa que as pessoas vivam em más condições, o que interessa é que as pessoas que vivem em más condições se tornam perigosas.

Direitices do PCP à parte, mais cómica ainda foi a intervenção do deputado municipal do Partido Socialista João Barbosa sobre o ponto agendado para discutir este pacote fiscal, em que se limitou a aconselhar os aveirenses a comprar um kit de salvamento do... Beira-Mar. Pois é... Eia avante, rapaziada!

Já agora, e a propósito do início desta Assembleia Ordinária, repare-se no seguinte na noticia do Diário de Aveiro (clicar na imagem para ler). O debate fez-se essencialmente entre o PS e o PSD, diz o jornal, mas apenas destaca as intervenções do Bloco de Esquerda. Intervenções clínicas?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

limpeza...

Se não estás comigo estás contra mim. Este é o princípio que o Partido Socialista pretende, segundo o Público, aplicar a todos os seus militantes que integraram ou apoiaram listas independentes nas últimas eleições autárquicas, expulsando-os.
Se é verdade que o PS deixou de ser socialista há muito tempo, parece que na organização é mais papista que o papa, que é como quem diz, mais estalinista que o partido comunista português. Parece...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

resultados eleitorais no concelho de Aveiro...

Câmara Municipal
PSD/CDS-PP: 53,79% (19243 votos)
PS: 33,12% (11849 votos)
BE: 5,07% (1814 votos)
PCP/PEV: 3,66% (1311 votos)
brancos: 2.98% (1067 votos)
nulos: 1.37% (489 votos)

Assembleia Municipal
PSD/CDS-PP: 52,93% (18931 votos)
PS: 29,14% (10421 votos)
BE: 6,66% (2381 votos)
PCP/PEV: 4,42% (1580 votos)
MEP: 2,32% (830 votos)
brancos: 3.11% (1114 votos)
nulos: 1.41% (506 votos)

O Bloco de Esquerda continua a aumentar a sua influência social em Aveiro. Elegeu mais um deputado municipal e, pela primeira vez, tem um deputado nas três freguesias urbanas do concelho (Glória, Vera Cruz e Esgueira), perdendo apenas o que já tinha em Cacia.
O clientelismo criado pelo poder já instalado no poder local e a vitória da bipolarização, revelam-se assim os maiores adversários do Bloco neste tipo de eleições onde o partido ainda não teve tempo para se afirmar.
A grande derrota destas eleições é a da arrogância da lógica do voto útil do Partido Socialista, centrado essencialmente no discurso de Raul Martins, e o Bloco pede agora a todos os aveirenses que estejam realmente atentos ao trabalho que ambos os partidos, BE e PS, vão desenvolver na Assembleia Municipal.
Desde que se declarou candidato à Câmara Municipal de Aveiro, José Costa nunca marcou presença na Assembleia Municipal, como se tivesse medo de ter que defender as suas opções políticas durante a campanha. É que em Aveiro o PS é um partido que diz uma coisa e faz outra e, está mais que visto, o eleitorado flutuante não aceita isso.
O Bloco de Esquerda afirma-se assim como a única alternativa política possível neste concelho e, durante os próximos quatro anos, vai devolver aos votos que teve um trabalho político realmente de esquerda.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

discurso do jantar final de campanha / autárquicas 2009


Quero começar por dar uma palavra de apreço a todos aqueles que, não sendo aderentes do Bloco de Esquerda, tiveram a coragem de integrar as listas deste projecto nestas eleições autárquicas. E não são poucos, os independentes que integram essas listas.
Para o Bloco é assim que se faz política: duma forma aberta, junto das pessoas e dos problemas reais da sociedade. Aliás, é também assim que vamos trabalhar na Assembleia Municipal de Aveiro, um órgão político que supostamente deve promover a participação dos cidadãos mas que, sob a presidência da coligação de direita, com a solidariedade do Partido Socialista e do PCP, fechou as portas aos trabalhadores da MoveAveiro quando estes mais precisavam e nela se tentaram manifestar. Como se os políticos fizessem parte de uma elite intocável que não se deve misturar com os cidadãos. Nessa noite apenas o Bloco de Esquerda se manteve do lado de fora da barricada da Assembleia e apenas o Bloco levou a discussão os problemas desses trabalhadores.

Em todas as noites, como nessa noite, é assim que o Bloco vai trabalhar, promovendo e pressionando aquele órgão para uma verdadeira democracia participativa e para um verdadeiro orçamento participativo. Mas a democracia não carece apenas de participação, carece também de propostas verdadeiramente de esquerda que promovam antes de tudo a qualidade de vida das pessoas.

O Bloco de Esquerda não vai desistir nunca da remunicipalização dos transportes e da intermunicipalização dos transportes colectivos de Aveiro, e de lutar pela sua qualidade e pelo seu acesso livre de todos os cidadãos. E sim, para o Bloco acesso livre significa gratuitidade dos transportes públicos. Nem caros, nem baratos. Gratuitos. Porque sabemos que neste momento só utiliza transportes públicos em Aveiro quem não tem mais alternativa nenhuma e, por isso, é obrigado a sofrer todos os dias na inoperância da gestão pública actual.

O Bloco de Esquerda não vai desistir da luta que já começou a travar com os primeiros passos da privatização da água. O princípio é simples: a água é um recurso natural e por isso é de todos. Ninguém tem o direito de nos vender o que já é nosso. A água não é para ser comercializada por um amiguinho qualquer do poder político, a água é para ser gerida pelo Estado e só pelo Estado. Ninguém, mas mesmo ninguém, pode ver o seu acesso à água limitado por razões económicas ou logísticas.

O Bloco de Esquerda não vai desistir de promover o acesso de todos à habitação, à educação, à cultura e a todos os serviços públicos. A habitação não pode ser um mero elemento especulativo que promove o desordenamento urbano e, simultaneamente, a existência de casas vazias e degradadas na mesma rua onde dormem sem abrigos e se constrói descontroladamente. A educação não pode ser uma opção, um negócio ou um mero elemento estatístico. A cultura não se pode resumir à programação duma casa de espectáculos com entradas caras, onde todos os dias e todas as noites as mesmas caras se reconhecem.

E acabo devolvendo a palavra a todos os que participaram nesta grande luta do Bloco de Esquerda. É por isso que estão connosco, é por isso que estamos com vocês. E prometemos que este crescimento recente do Bloco em Aveiro e no país não vai ficar por aqui.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

jantar e debate



1] Hoje às 19:00, na rádio Terranova, representarei o Bloco de Esquerda num debate com os candidatos à Assembleia Municipal de Aveiro do PS, da CDU e da coligação CDS-PP/PSD.

2] Amanhã às 20:00, quinta-feira 8 de Outubro, é o jantar de encerramento de campanha do Bloco de Esquerda em Aveiro no restaurante Ceboleiros, que contará com a intervenção dos candidatos aos órgãos autárquicos locais e de Pedro Filipe Soares, deputado eleito pelo distrito de Aveiro. O jantar está aberto a todos os aderentes e simpatizantes da esquerda política, que se podem inscrever pelo telefone 960 045 419 ou, em exclusivo para leitores deste blogue, através do meu email: bagacoamarelo@gmail.com. Por favor, deixem o vosso telefone que é para eu confirmar a vossa presença.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o trabalho descartável e a equação da produção de riqueza

A Tyco Electronics despediu em Agosto 110 trabalhadores da sua fábrica de Évora. Agora está a subcontratá-los através de empresas de trabalho temporário. É o trabalho descartável e a precariedade a ganharem terreno ao trabalho com direitos. A precariedade significa menos vida para os trabalhadores, o trabalho com direito significa mais vida. O governo PS aprovou um código de trabalho que permite mais facilmente a precariedade, ou seja, menos vida para os portugueses.

A produção de riqueza é feita pelos indispensáveis meios de produção e pelos indispensáveis trabalhadores. Os donos dos meios de produção são, portanto, o único factor dispensável na produção real de riqueza. O modelo económico vigente, neoliberal e suportado pelos partidos que têm governado este país, altera a natureza desta equação de uma forma artificial, permitindo que nela a propriedade do meio de produção seja o elo mais importante.
Como é que se faz isto? Fácil: primeiro cria-se desemprego para que o dono do meio de produção ganhe vantagem na lei da oferta e da procura, depois suavizam-se as leis laborais para que a balança entre trabalhador e empregador seja o mais desequilibrada possível. O Partido Socialista e o partido Social Democrata têm andado de mãos dadas nestes objectivos e, admita-se, têm conseguido avanços.

Enquanto força política, a esquerda a sério não pode limitar-se a tentar que as leis laborais favoreçam cada vez mais o trabalhador, embora esse deva ser o primeiro passo. É necessário inverter completamente a lógica desta equação, fazendo com que a força de trabalho e o meio de produção sejam o mais importante na produção de riqueza. A única maneira de o conseguir é entregando ao próprio trabalhador o meio de produção.

A propriedade pública não tem nem deve ser total, mas deve estar presente nos sectores principais da Economia e da Sociedade. De resto, a propriedade privada deve ser admitida também como forma de realização pessoal, mas deve jogar numa sociedade de pleno emprego e com garantias de uma vida digna para os trabalhadores. Basicamente, quem quer ganhar dinheiro a produzir, pode e deve fazê-lo, mas sem esmagar ninguém, se faz favor...

programa eleitoral do Bloco de Esquerda para Aveiro 2009



download aqui

we all live in yellow submarine... parte II

O contrato celebrado pelo Estado português, através do então ministro da defesa Paulo Portas, desapareceu. É o primeiro dos mistérios num mistério ainda maior que envolve burla qualificada e falsificação de documentos por parte dos empresários alemães e portugueses envolvidos. São eles:

Horst Weretecki, Man Ferrostal
Winfried Hotten, Man Ferrostal
Anjie Malinowski, Man Ferrostal
José Ramalho, Simoldes Plásticos
Filipe Moutinho, Sunviauto
António Roquette
Rui Moura Santos, Inapal Plásticos
Jorge Gonçalves, Amorim Industrial Solutions
António Lavrador, Ipetex
José Medeiros, Comportest

As suspeitas tiveram origem nas escutas feitas a Abel Pinheiro (então tesoureiro do CDS-PP) e o próprio Paulo Portas, e também em documentos apreendidos na "Operação Furacão". Mais no esquerda.net

terça-feira, 29 de setembro de 2009

política cultural em debate

Hoje, 29 de Setembro às 21:30, no âmbito da campanha autárquica em Aveiro decorre um debate sobre política cultural organizado pelo Performas e que contará com:

- Maria do Rosário Fardilha (BE)
- Maria da Luz Nolasco (PSD/CDS)
- Gonçalo Fonseca (PS)
- António Moreira (CDU)

we all live in yellow submarine...

Buscas efectuadas hoje em quatro escritórios de advogados, devem-se a suspeitas de corrupção, tráfico de influências e financiamento ilegal de partidos políticos no processo de aquisição dos dois submarinos U-214 adquiridos pelo Estado português ao Germain Submarine Consortium (GSC)

Dos milhões de euros desviados para contas na Suíça pelo Paulo Portas, na altura ministro da defesa, ficou apenas um leve aroma na comunicação social que facilmente se diluiu nos maus cheiros da imprensa nacional. Agora o caso, a propósito da investigação do ministério público, surge de novo, já com o CDS-PP a ter 21 deputados na Assembleia da República, graças a uma campanha populista contra o banditismo e a corrupção. Parece que sobre banditismo e corrupção, realmente, ninguém melhor do que o Portas para falar do assunto.
O que mais (não) me espanta é a calendarização do assunto, logo após as eleições legislativas. Antes delas, o Expresso andava a investigar coisas interessantíssimas como o PPR do Francisco Louçã. Entretanto acredito que o ministério público tenha encontrado a man who sailed the sea.

In the town where I was born,
Lived a man who sailed to sea,
And he told us of his life,
In the land of submarines

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Pedro Soares

Aveiro tem, pela primeira vez desde 1979, um deputado de esquerda na Assembleia da República: Pedro Soares do Bloco de Esquerda.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Planos para Papar Reformas

A imprensa vasculha a vida toda do Francisco Louçã para lhe encontrar fragilidades e o que é que encontra? Que o Francisco Louçã tem um PPR... claro que tamanho crime foi posto em todas as capas de jornais e noticiários da rádio e da televisão. Faltou apenas dizer que o Bloco nunca defendeu o fim dos ppr's, defende sim o fim dos benefícios fiscais dos mesmos (incluindo o do próprio Louçã, estejam descansados). É que quando o Bloco for governo os ppr's deixam de fazer sentido...

porque é que os criminosos têm mais direitos que os polícias?



Dois candidatos do CDS-PP à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal de Moura, nas próximas eleições autárquicas, foram apanhados em flagrante delito a roubar... palha. A responsável pela distrital do partido em Beja já disse que os mesmos não vão ser substituídos nas listas do partido.
É o fim duma campanha demagógica do partido que pretende apenas esconder a grande criminalidade com a pequena, ou seja, enquanto concentramos as atenções nuns tipos que roubam palha, a grande corrupção passeia livremente pelo país e pelos órgãos do governo.
Uma coisa é certa: os pequenos criminosos não têm mais direitos que os polícias. Ainda o ano passado, durante um roubo a materiais de construção numa quinta do sul do país, a GNR disparou a matar e roubou a vida a um menor que fugia numa carrinha com os autores. Talvez o cartaz do CDS devesse ser mudado para qualquer coisa como: "Porque é que os Dias Loureiros têm mais direitos que os polícias?". A resposta é sua, o voto é seu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

política e futebol


Quando vi uns pendões de plástico do Partido Nova Democracia pendurados perto da minha casa, pensei que já tinha visto aquilo em qualquer lado. E tinha mesmo... na verdade até acho justo que os Novos Cristãos Democratas imitem o símbolo do Euro 2004. É que há tantas pessoas que são de um partido da mesma forma que se é de um clube de futebol...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

custos...

Quanto é que custaram os submarinos que o Paulo Portas comprou quando era ministro da defesa e para que é que vão servir?
980 milhões de euros mais juros, ou seja, cerca de 1,8 mil milhões de euros. Não servem para nada...

Quanto é o Estado Português gasta por ano com o Rendimento de Inserção Social e para que é que este serve?
Cerca de 300 milhões de euros. Serve para tirar milhares de portugueses duma situação de fome e miséria total...

desabafo rápido...

Ando a fazer um esforço enorme numa campanha eleitoral que considero importante. Estou a falar de tardes inteiras ao Sol e de queimaduras solares, muito suor e cansaço, muito cansaço mesmo. Actualmente durmo uma média de quatro horas por dia. Ao contrário do que algumas pessoas podem pensar não ganho um cêntimo com isto. Pelo contrário, só gasto. Aceito que as pessoas possam ou não concordar comigo e com a minha orientação política. Não aceito é que, como ainda ontem me aconteceu, me digam coisas do género: "só querem é todos tacho".
A despolitização generalizada dos portugueses é evidente mas, mais do que evidente, é grave. Tenciono, dentro do que está ao meu alcance, contribuir para que isso diminua e para que a curto prazo este país tenha uma política de esquerda mesmo, com uma Economia mais justa para todos. Acho que as pessoas em geral trabalham demais e ganham de menos, acho que há demasiadas pessoas neste mundo sem um mínimo de qualidade de vida, acho que o capitalismo é um roubo constante e legalizado. Acho também que é possível mudar, que os recursos naturais não devem ter dono, que os meios de produção devem ser a única forma de gerar riqueza e que todos os tipos de especulação devem acabar. Acho que a riqueza produzida no mundo chega e sobra para todos e que o acesso à saúde e à educação pode e deve ser gratuito. Acho que precisamos duma revolução pacífica que inicie um modelo económico e social realmente democrático. Acho que as pessoas têm todas a mesma importância e essa importância é imensa. Acho e acredito nisto tudo. Aliás, acho isto tudo inevitável...

contra-informação



É empobrecedor para a política que a sua discussão se faça no vazio. Poucos eleitores lêem os programas eleitorais dos partidos candidatos a qualquer eleição mas, curiosamente, o esforço que alguns desses partidos fazem para passar a sua mensagem de uma forma mais imediata é nulo. Na verdade, nestas eleições legislativas apenas o Bloco de Esquerda e o CDS-PP o fazem, concordemos ou não com as suas políticas. De resto, PS (Avançar Portugal), PSD (Chegou a Hora da Verdade) e PCP (Sim, é possível uma vida melhor), parecem ter esquecido nos seus outdoors o que é o centro dos seus próprios programas...

debate sócrates versus louçã

Os debates das legislativas têm um pequeno (ou piqueno, como diria a Manuela Ferreira Leite) pormenor engraçado: no fim são sempre comentados por líderes de opinião de direita. Foram esses líderes de opinião que, no fim do debate entre o Sócrates e o Louçã, conseguiram que a questão da concessão da auto-estrada Oliveira de Azeméis/Coimbra fosse a mais falada no resquício do mesmo. A estratégia é simples e funcional: Num debate com o seu maior e mais eficaz opositor político, desviam-se as atenções para um só pormenor.

Louçã escorregou, de facto, quando deu a entender que o Governo ainda estava a pensar pagar 1174 milhões de euros pelo concurso da referida auto-estrada, adjudicado à Mota-Engil (ou seja, ao Jorge Coelho) por 535 milhões. É óbvio que Louçã não mentiu (isso seria um erro político primário), só não foi informado que o referido concurso já tinha sido anulado a 20 de Agosto. Aquilo que não se disse depois é que o Governo tentou efectivamente realizar essa negociata com o seu ex-camarada, e só não o fez porque a um mês dumas eleições que se adivinham disputadas seria um erro demasiado grave. Aliás, falta agora a Sócrates explicar porque é que, se a Estradas de Portugal anulou o referido concurso devido à subida do seu preço, não o fez em outras ocasiões em que aconteceu exactamente o mesmo, nomeadamente na auto-estrada do Algarve (em que o preço subiu 83%) e no Baixo Alentejo (em que subiu 167%). Hum... acredito que foi por não estarmos tão perto das eleições...

Mentira descarada, e que curiosamente passou despercebida pelos media, foi o primeiro-ministro esconder o seu passado político quando afirmou que fez sempre parte da mesma família política. É sabido que Sócrates fez parte da JSD e até é normal, já que a distinção do modelo económico defendido pelos sociais-democratas e pelo Partido Socialista é igual a zero, e só percebo a amnésia do primeiro-ministro pelo facto de ele saber que está a sofrer uma erosão no eleitorado de esquerda.

Falando de erosão à esquerda do Partido Socialista, as causas são muitas, e foram essas que ficaram por explicar nas não-respostas às questões colocadas pelo representante do Bloco de Esquerda. Sócrates fugiu às questões sobre a privatização da Galp e à negociata dos contentores de Alcântara, fugiu à questão da ajuda (e que ajuda) financeira e política que dá à banca comercial privada, fugiu ao facto do seu governo ser autor do código de trabalho mais direitista da História democrática deste país (que, aliás, contou com a preciosa ajuda do provedor das empresas de trabalho temporário) e refugiou-se em clichés, chamando repetidamente extremista a Louçã e criando uma enorme confusão na questão do fim dos benefícios fiscais propostos pelo Bloco.

Sobre extremismo estamos falados: um líder de um partido democrático só chama extremista ao representante de outro partido democrático e que, portanto, joga politicamente com as mesmas regras, quando quer afastá-lo da discussão política e, isso sim, é extremista. Na minha opinião também é extremista, por exemplo, colocar à disposição da banca vinte mil milhões de euros em plena crise social mas... para o Sócrates isso parece ser "normal".

Sobre a questão dos benefícios fiscais a explicação de Louçã foi simples e apenas o primeiro-ministro não a percebeu: o regime fiscal do PS é injusto porque não é para todos (só tem esses benefícios fiscais quem tem dinheiro para os conseguir) e, por isso, devemos ter um regime fiscal que não exige dinheiro à partida (educação gratuita, saúde gratuita, serviços públicos de qualidade, etc, etc)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

assembleia municipal de aveiro

A decisão de eu ser o primeiro da lista candidata do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Aveiro não teve a ver, como podem indiciar algumas notícias, com liderança. Teve a ver com disponibilidade para trabalhar. De resto, podem contar com um grupo vasto que não fugirá nunca do programa político socialista do Bloco de Esquerda.

(in) segurança social

Quantos portugueses sabem que a Segurança Social Portuguesa dá lucro?

A Segurança Social Portuguesa acabou o ano de 2005 com lucro de 787,4 milhões de euros, 706 milhões de euros em 2006 e 1147,5 milhões de euros em 2007. Em 2008, apenas nos dez primeiros meses, o lucro já tinha atingido os 1900 milhões de euros. Mesmo assim o governo de Sócrates convenceu o país inteiro de que a redução do apoio social se devia à insustentabilidade da Segurança Social...

já podem pagar o que nos devem...

Apesar da crise, os quatro grandes bancos privados de Portugal, BES, BCP, BPI e Santander Totta, apresentaram no final da primeira metade de 2009 lucros de 760,7 milhões de euros.
No início da mediatização da crise económica actual, e à semelhança do que se passou um pouco por todo o Ocidente, o governo português disponibilizou milhões de euros à banca privada para que esta não fosse à falência. Pelos vistos não foi nem estava previsto que fosse, portanto já pode devolver o dinheiro todo e, já agora, com juros...

domingo, 26 de julho de 2009

é um pássaro, é um avião. não... é a joana amaral dias...

O Partido Socialista passou quatro anos a sofrer uma erosão à sua esquerda e a compensá-la com um crescimento à sua direita. Esta lenta metamorfose do Partido Socialista tem culpados (chamem-lhe autores, se quiserem) e esses são os membros do governo, que deixou primeiro de representar os seus eleitores e depois, com o tempo, deixou de representar o próprio partido (surpresa! no PS há pessoas de esquerda).
A venda da Galp ao Amorim, a colocação de portagens na scuts, a pronta ajuda à banca ao mesmo tempo que se baixou o investimento público e o apoio social ao desemprego, foram as principais questões que tiraram o tapete dos pés de alguns aderentes do partido do Governo.
Agora, e apesar do mau desempenho de Manuela Ferreira Leite à frente do PSD, o seu partido cresceu e alimenta expectativas de vir a ganhar as eleições legislativas deste ano. Da parte do PS chegou à altura da chantagem, da bestialidade do voto útil e da... Joana Amaral Dias.(que, muito bem, recusou um convite para integrar as listas socialistas às eleições legislativas)
Falta saber quanto do eleitorado de esquerda se vai trair a si mesmo mais uma vez...

sábado, 25 de julho de 2009

promessas

Sócrates promete resolver situação dos 25 mil jovens desempregados se ganhar eleições [ler no Público]. E eu pergunto: quem é que está no governo agora? É o Sócrates. Então porque é que não resolve já?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

marx para principiantes



Marx para principiantes é um excelente livro de Rius que comete a ousadia de simplificar a vida e a obra de Marx num misto de banda desenhada e prosa. É um trabalho e pêras mas, como o próprio diz, a pior das batalhas é aquela que não nos arriscamos a travar...


título: marx para principiantes
tamanho: 17,2 mb
formato: pdf
língua: português
download no rapidshare

quinta-feira, 23 de julho de 2009

radiohead | no surprises

o desemprego como um falhanço pessoal...

É mentira que os desempregados o são, ou o estão, em determinada altura da vida por incompetência própria. A sensação de que se falhou na vida quando se está desempregado é uma imposição do modelo de produção capitalista que necessita de desempregados como de pão para a boca, e necessita para poder fazer chantagem sobre os que estão empregados.
O papel político dos governos ocidentais tem sido, por isso, manter a taxa de desemprego numa percentagem que permita essa chantagem e que, simultaneamente, evite a revolta social. Portugal, evidentemente, não é excepção e tanto o Partido Socialista como o Partido Social Democrata têm sido fundamentais neste papel.
Este facto, associado à sacralização das palavras "trabalho" e "sofrimento", inseridas na nossa herança judaico-cristã, fazem com que o emprego seja considerado uma dádiva dos empregadores. Não o é. Quem emprega uma pessoa, emprega-a porque precisa dela para trabalhar e retirar daí mais-valia (em Marx, a diferença entre o que se produz e o que se ganha). É portanto estranho que se possa considerar um favor quando alguém emprega alguém... e mais estranho ainda é alguém convencer alguém de que a empregabilidade serve antes de mais para dar dinheiro a quem trabalha...

terça-feira, 21 de julho de 2009

sobre as portagens nas scuts...

mentiroso
adjectivo singular masculino

que ou aquele que mente, que engana.
falso.
aparente.

Quem acreditou nas promessas do Partido Socialista nas eleições legislativas de 2005 acreditará nelas uma segunda vez? Acho que não, incluindo aqueles que nele votarão. A primeira das conclusões óbvias a tirar da colocação de portagens nas scuts por este governo é que o primeiro-ministro mente e, com ele, todos os membros deste governo, já que a promessa de deixar as scuts como estavam foi uma das suas mais importantes bandeiras na campanha eleitoral, concretizada pelo primeiro-ministro numa espécie de "read my lips".
Contudo e infelizmente, o mais grave não é termos um primeiro-ministro mentiroso. O mais grave é termos um primeiro-ministro que não tem a mínima vontade de praticar uma política virada para os serviços públicos e para a acoesão nacional do território. O mais grave, e porque a questão das portagens nunca foi uma questão orçamental, é termos um primeiro-ministro que é capaz de prejudicar milhares e milhares de cidadãos contribuintes para permitir que uns amigos seus (leia-se Grupo Melo ou Brisa) continuem a ganhar dinheiro em negócios sem risco.
As consequências que esta medida do governo terá no tecido empresarial dos distritos envolvidos e consequentemente no seu (des)emprego, a falta de vias públicas alternativas para os automobilistas e a quase inexistência de transportes colectivos em zonas como a de Aveiro, Póvoa do Varzim ou Viana do Castelo também parecem não incomodar minimamente o executivo do Partido Socialista. Partido o quê? Socialista... ... ah!